Aline Gehm Koller Albrecht
Jornalista
@Alinegk
Meu filho mais velho está no 5º ano, e, todas as terças-feiras, passou a ter aulas no turno da manhã. Animada para preparar o primeiro café da manhã nesse novo ritmo da casa, lembrei do legado de amor e carinho que minha mãe deixou: a mesa posta nas manhãs em que eu e minha irmã íamos cedo para o colégio.
Com a lembrança nostálgica, fui até a cristaleira e peguei a louça que costumamos guardar para ocasiões especiais. Coloquei tudo com cuidado e chamei o Rafael para o café. Disse a ele algo que sempre repito aqui em casa: que estava usando a louça que reservamos para pessoas especiais, pois os membros da família são tão importantes quanto as visitas. Então por que esperar ocasiões raras para usar aquilo que consideramos relíquia?
Quando nosso filho do meio se levantou, o mais velho já estava no colégio. Servi o pão dele também no prato “chique”. Aproveitei para lembrar que ele também era muito importante para mim. Em seguida, o Teodoro disse: “Quem também deve usar essa louça é Jesus!”
Sim, respondi emocionada com a associação feita por ele e reforcei que Jesus está sempre conosco à mesa, pois o convidamos ao orarmos. Isso me fez recordar da promessa de Cristo, em Mateus 18.20: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. Também fiquei pensando em quantas vezes a correria da vida nos faz esquecer de incluir o Salvador em nossa rotina, impedindo os pequeninos de chegarem perto dele, como os discípulos fizeram.
Como é importante compartilharmos a fé, lendo a Bíblia e histórias bíblicas aos filhos, para que Jesus faça morada em seus corações e se torne próximo deles. A fé se constrói no cotidiano e, por isso, a missão é diária. Como ensina Deuteronômio 6.6-7: “Estas palavras que hoje lhe ordeno estarão no seu coração. Você as inculcará a seus filhos, e delas falará quando estiver sentado em sua casa, andando pelo caminho, ao deitar-se e ao levantar-se”.
Falar de Deus nas conversas simples do dia a dia são sementes que plantamos no coração dos filhos. As tradições também têm seu lugar nesse cultivo. A oração na hora de dormir, antes e depois das refeições, a mesa reunida… são pequenos gestos que mantêm acesa a chama da fé dentro de casa. Talvez Jesus não precise da nossa louça fina. Mas ele certamente se alegra quando encontra um lar onde é lembrado, convidado e honrado.
Talvez essa seja uma das mais sublimes missões das mães: ajudar a transformar os momentos comuns da casa em memórias de fé que acompanham os filhos por toda a vida.
Aqui em casa, até o pequeno Leonardo, que tem menos de 2 anos, já aprendeu esse caminho. Quando está satisfeito, junta as mãozinhas para mostrar que terminou de comer e está pronto para orar. E já sabe dizer “Amém”, aplaudindo logo depois.
Por aqui oramos, primeiro convidando: “Vem, Senhor Jesus, sê o nosso convidado, e tudo o que nos dás, nos seja abençoado. Amém”. Depois da refeição: “Agradecemos ao Senhor porque ele é bom e porque a sua misericórdia dura para sempre. Amém”.
E assim, com grandes e pequenas mãos unidas em oração, seguimos lembrando que Jesus sempre tem lugar à nossa mesa e que uma louça fina espera por ele, afinal é parte importante da família.
*Assista a esta mensagem, em vídeo, no canal Youtube.com/AlineKoller
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