Em 1827, no dia 15 de março, Dom Pedro I decretou o Ensino Elementar no Brasil. Este era um projeto de implementação de escolas em todas as cidades. Hoje, esta mesma data, 15 de março, é marcada como o Dia da Escola. Eis um tempo oportuno para refletir sobre esta nobre formadora de cidadãos.
Se eu sei escrever e você sabe ler, é graças à escola. Óbvio. Escola não no sentido de um espaço físico, mas de pessoas. Professores, orientadores, servidores, colaboradores. Enfim, a lista é grande. E, claro, alunos. Como todos já fomos. E com carinho lembramos de todos os mestres. Lembro-me da minha primeira professora, lá no Colégio Luterano Emanuel, de Ijuí, RS, onde estudei até a 5ª série. O nome dela era Salete. Óbvio que tive que aprontar alguma arte na pré-escola. Logo no segundo dia letivo, quando realmente fiquei sozinho na escola, consegui fugir. Sim. Fugi! Algo inimaginável hoje. Uma criança de 5 anos saindo da escola sozinha! Lembro que fui caminhando até a casa da minha avó, onde estava minha mãe. Aliás, levante a mão quem nunca aprontou alguma na escola!
Quando, no dia 15 de março, celebramos o Dia da Escola, apontamos para ela como instrumento de Deus. Não apenas para atingir a mente, com conhecimento, cultura e arte. Mas também para atingir o coração. Crianças e adolescentes são preparados para serem cidadãos pensantes, éticos, com capacidade de escolha. Claro. O sinal de alerta pode e deve ser aceso em um cenário brasileiro onde a educação pública não é valorizada como deveria – seja pela falta de apreço pelos professores, pelas salas precárias, pelas ideologias veladas no ensino, etc. Nossa pátria seria muito melhor se, desde o decreto de Dom Pedro I, lá em 1827, a educação brasileira recebesse investimentos pesados. Tão pesados quanto nossa carga tributária.
Lutero dispensa apresentações quando o assunto é educação. Sua luta foi para que o Estado, na sua função plena, oferecesse escolas de qualidade, inclusivas para todas as classes sociais. Em tempos sombrios, todos deveriam ser libertados destas trevas através do conhecimento e da educação. Eis aí um apelo que deveria continuar ecoando ainda hoje, não é mesmo?
Se uma escola já é um grande instrumento de Deus para formar cidadãos que servirão a ele na sociedade, então imagine quando este ambiente escolar é temperado com a filosofia luterana de ensino. Bom, aí os olhos brilham. O famoso lema “ao lado de cada igreja, uma escola” foi o lema vivido por muitas congregações aqui no Brasil. E, com saudosismo, muitos guardam no coração as escolas paroquiais. Hoje, a Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) é abençoada com diversas escolas confessionais espalhadas pelo país. Locais onde o conhecimento é trabalhado com excelência. Mas também é lugar onde a palavra do Senhor norteia princípios e valores que tornam o ambiente escolar seguro emocional e espiritualmente. Assim, cada escola confessional pode ser vista como um celeiro de formação de cidadãos éticos e com uma visão cristã da vida.
Com este louvor e reconhecimento às escolas, entrego meus dons a serviço do Senhor para me juntar a esse time. A partir desta edição, assino como pastor capelão do Colégio Luterano Redentor, de Igrejinha, RS. “Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele” (Pv 22.6). Que bênção é ensinar a Palavra que se fez carne e habitou entre nós!
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