Marilanda Mülling Leitzke
3ª tesoureira da LSLB
Quase sempre quando assisto a um filme bíblico, me vem um pensamento: se eu tivesse vivido na época dos profetas, será que teria obedecido às ordens de Deus?
Penso em Abraão, que foi capaz de levar seu filho Isaque para o sacrifício, simplesmente porque ele confiou em Deus – será que eu teria tido a mesma fé? Talvez tivesse reagido mais como Jonas, tentando fugir para escapar da missão dada por Deus a ele.
Também me vem esse pensamento quando vejo, Pedro, André e seus amigos, que deixaram suas redes, suas famílias, seu sustento, para seguir a Jesus. Se eu estivesse no lugar deles, qual teria sido a minha reação? Como eles tiveram a certeza de que era realmente Deus quem os chamava?
Hoje, olhando para tudo o que já aconteceu, já consumado, registrado nas Escrituras e testemunhado ao longo da história, por meio de evidências arqueológicas que comprovam a existência tal qual como aconteceu, penso que é tudo muito mais fácil de compreender.
Mesmo assim, diariamente somos confrontados com perguntas e questionamentos sobre nossa fé salvadora. Então, lembramos que nossa fé não é fruto da nossa própria força, dos nossos atos e de nossa coragem – também não herdamos dos nossos pais –, e sim, nos é dada graciosamente por Deus através do Espírito Santo, e somos fortalecidos pelo ouvir da Palavra e pelos sacramentos. Isso significa que nossa salvação não depende de sermos tão obedientes como Abraão, nem de nunca fugirmos como Jonas, nem de termos a coragem imediata dos primeiros discípulos.
Deus conhece nossa fragilidade, nossas dúvidas, nossos medos e até mesmo a nossa tendência de fugir de sua vontade. Ainda assim, em sua infinita misericórdia, Ele continua nos chamando, nos perdoando e nos conduzindo de volta para si.
As histórias da bíblia nos mostram que Deus trabalha através de pessoas imperfeitas – Abraão também teve momentos de dúvidas, Jonas tentou fugir, Pedro chegou a negar Jesus, e mesmo assim Deus não desistiu deles, continuou os abençoando e os usou em sua obra.
Esta é a beleza da graça de Deus! Ela não depende da perfeição humana, porque somos pecadores e não conseguimos ser perfeitos nunca, por causa do pecado. A graça de Deus é um presente precioso que recebemos sem merecer, por meio de Jesus Cristo, que morreu em nosso lugar e ressuscitou para nossa salvação. Essa dívida é impagável, por isso o louvamos e agradecemos por tudo que ele fez por nós na cruz.
Assim, voltando aos nossos personagens – Abraão, Jonas e os discípulos –, lembramos que o mesmo Deus que os chamou, é o mesmo Deus que continua agindo em nós, e está presente no nosso cotidiano, em pequenas escolhas que fazemos, nas decisões e nas dúvidas.
Portanto, em meio às nossas limitações, podemos confiar que Deus continua presente e fiel, sustentando-nos por sua graça. E assim seguirá até o dia em que Jesus Cristo voltar, cumprindo a sua promessa de vida eterna a todos aqueles que nele creem.


