Cada nota é uma história

O Projeto Harpa Cambará transforma vidas através da música

No coração da Serra Gaúcha, entre cânions e nevoeiros, uma melodia improvável ressoa pelas ruas de Cambará do Sul. São as cordas da harpa – instrumento historicamente associado a elites e conservatórios – sendo tocadas por crianças da comunidade local, muitas delas com acesso garantido por bolsas de estudo.

Esse é o Projeto Harpa Cambará, resposta às orações que o casal de luteranos Beatris e Marcos Barbier fazia para que Deus mostrasse de que maneira poderiam trabalhar e ser missionários na cidade que escolheram viver há 10 anos. “Assim, um empresário, que percebemos ser enviado por Deus, chegou até nós e lançou o desafio de iniciarmos essa caminhada. E isso tomou uma proporção incrível, abrindo uma seara para o trabalho de Deus entre jovens, crianças e famílias”, explica Beatris.

Filha do pastor Ivo Krieser (em memória) e de Lurdes Grudzinske Krieser, quando pequena foram morar em Katueté, localizada no Departamento de Canindeyú, no Paraguai. “Lá minha mãe me apresentou a Harpa que desde então faz parte de toda minha vida. Em 2015, viemos morar na pequena cidade de Cambará do Sul, onde temos um restaurante e onde a música é um dos nossos grandes diferenciais. Como cristãos luteranos e novas criaturas transformadas por dentro, procuramos vivê-la abertamente e assim dar testemunho do que cremos. Assim nasceu o projeto Harpa Cambará, que está proporcionando a estas pessoas conhecerem e se apaixonarem por Jesus, convidando crianças, jovens e adolescentes para participarem das mais diferentes atividades, como o acampadentro, que começa na sexta-feira com ensaios de hinos, atividades bíblicas, jantar, comer marshmallow,  assistir cineminha e, após uma noite de sono, a programação continua no sábado com um cafezão, junto com os pais e responsáveis e finaliza com um culto e muito louvor”, detalha.

Ela relata que o projeto vai além do ensino musical – as bases são os princípios cristãos. Para Beatris, o instrumento é apenas o ponto de partida: “Cada nota tocada aqui carrega dedicação, esperança e superação”.  Ao lado das harpas, o piano também passou a integrar o currículo, ampliando as possibilidades de formação dos alunos.

As aulas atraem tanto crianças quanto adultos, criando um ambiente intergeracional raro no universo da música clássica. O modelo de bolsas de estudo é central para que o projeto cumpra seu propósito: garantir que o talento – e não a condição financeira – seja o único critério de acesso.

Em novembro de 2025, Cambará do Sul recebeu pela primeira vez um evento dedicado exclusivamente à harpa. O 1º Festival de Harpa Cambará, realizado entre os dias 27 e 30 de novembro, reuniu harpistas locais, nacionais e internacionais em um programa que uniu música, cultura e gastronomia, transformando a cidade em palco de uma experiência comunitária inédita.

Um dos pontos altos do evento foi o dia dedicado às escolas municipais: estudantes da rede pública tiveram a oportunidade de vivenciar apresentações e atividades pedagógicas especialmente preparadas para eles, aproximando a educação formal da arte. A Camerata de Harpas de Cambará, formada pelos próprios alunos do projeto, foi uma das atrações centrais – um símbolo concreto do que o trabalho de Beatris representa.

O festival também gerou um documentário oficial, produzido pela própria equipe do projeto, que registrou os bastidores, depoimentos e momentos marcantes do evento. A produção tornou-se um registro afetivo e histórico para a cidade. Assista aqui:

O 2ª Festival de Harpa Cambará já tem data confirmada: de 20  a 22 de novembro. Acompanhe a programação no Instagram, em @harpacambara.

Apoie o Projeto

Manter o projeto exige investimentos contínuos: manutenção e aquisição de novos instrumentos, deslocamentos da camerata para apresentações externas e infraestrutura para ampliar o número de vagas. Por isso, Beatris e sua equipe lançam um convite a empresas e apoiadores que queiram fazer parte dessa transformação.

“Apoiar este projeto é investir em cultura, educação e no futuro de crianças que só precisam de uma oportunidade para brilhar”, resume a idealizadora. Em um país onde o acesso à arte ainda é privilégio de poucos, o Projeto Harpa Cambará prova que é possível afinar o mundo – uma nota de cada vez.

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