*Elbert Davi Jagnow
Pastor Assistente Espiritual
Segue o primeiro de uma séria de quatro artigos. 1 – O luto em sua dimensão humana; 2 – Abordagem sobre sua caminhada interna e possíveis fases; 3 – A esperança cristã diante da morte; 4 – Como cuidar de quem vive a dor da perda.
O luto é experiência vivida por todos. Alguns o enfrentam de forma mais tranquila, porém, para outros, é muito difícil conviver com ele. Vários passam por esse momento em silêncio, sem saber como lidar com os sentimentos que o luto traz; ainda, outras desejam ajudar, mas não sabem qual a melhor forma de abordar o assunto e auxiliar, sem usar diretamente o termo LUTO. Com esta sequência de quatro artigos, pretendo trazer algumas reflexões e oferecer espaço para diálogo em nossos contatos que constam no site do Projeto Eliézer. Nos artigos, falaremos um pouco das fases do luto, da esperança do cristão e de como melhor auxiliar a quem enfrenta esse momento. A intenção não é oferecer respostas rápidas, mas caminho de compreensão, indicar alguns artigos e livros que conheço e que podem também ajudar no esclarecimento e orientação. Gostaria de dizer as primeiras palavras sobre o assunto: Luto não é fraqueza, nem falta de fé, é amor ferido pela ausência. E é o momento em que Deus quer se aproximar e sustentar.
Compreendendo o luto nas dimensões humanas
O luto é reação natural diante da perda. Ele envolve emoções profundas, memórias e adaptação. Choramos porque amamos; onde há saudade, houve vínculo. Luto não é doença, fraqueza nem sinal de pouca fé. É expressão humana do amor que sofre. A perda mais lembrada é a morte, mas o luto também aparece quando planos se rompem, problemas com a saúde, fim de um relacionamento, demissão do emprego. A perda significativa mexe com nossa vida e requer tempo. Viver o luto é reorganizar a caminhada em novo cenário.
Temos referências bíblicas que podem auxiliar a refletir. Abraão chorou por Sara (Gn 23.2). Davi lamentou Absalão (2Sm 18.33). Jesus chorou diante de Lázaro (Jo 11.35). Olhando para Jesus, podemos entender: se o Filho de Deus chorou, o pranto do cristão é legítimo. Deus não exige força, mas oferece presença: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, tu estás comigo” (Sl 23). A fé não retira a dor, mas sustenta no vale.
Podemos afirmar com toda a convicção: O luto é não ato único, mas um processo. Pode envolver negação, raiva, culpa, silêncio, lembranças e saudade. Há dias mais tranquilos e dias que se tornam pesados. Cada pessoa tem seu ritmo para encarar o luto. Alguns precisam expressar falando; outros preferem o silêncio. Não há receita, nem limite de tempo para “superar”. Todo o cuidado precisa começar no acolhimento da dor sem cobrar prazo.
O fato de sermos cristãos não apaga a saudade: porém o consolo transforma a saudade em memória viva na esperança do reencontro na plenitude da vida eterna. Podemos chorar, pois não é sinônimo de fraqueza. O coração enlutado é lugar onde Deus quer habitar. Ele quer enxugar as lágrimas e renovar a esperança. A primeira atitude é reconhecer a perda. O amor não termina com a morte, porém permanece em lembranças, gratidão e histórias. O luto não é fracasso, mas um processo.
*Elbert Davi Jagnow
Coordenador do Projeto Eliézer
(www.projetoeliezer.org.br)
Referências bíblicas:
Salmo 23; Salmo 34.18; João 11.35; Apocalipse 21.4
Sugestões de leitura:
• Kübler-Ross – Sobre a Morte e o Morrer
• Alan Wolfelt – Understanding Your Grief
• C.S. Lewis – Uma Dor Observada
Acesse aqui a versão impressa.


