Violência por motivos banais

Artur Charczuk
pastor e psicanalista
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Estamos ficando cada vez mais surpreendidos pela banalização da violência. Essa banalização tem surgido cada vez mais em nossas mídias, um problema que aparece em diferentes facetas. São violências que não teriam motivos para virem à tona, mas elas estão vindo e com força descomunal. Desde a desentendimentos triviais até madames não satisfeitas com seus cortes de cabelo, tudo é explosão, agressão. Mas quando percebemos que essa banalização da violência nas estruturas sociais está muito frequente, precisamos refletir e constituir uma opinião acerca desse cenário tão decadente. E convido você, leitor, para pensarmos juntos!

Um dos aspectos que pode ser refletido é sobre o assunto informação. Antigamente, nossos avós recebiam notícias, uma quantidade considerável, em um mês. Atualmente, o ser humano recebe uma quantidade considerável em um dia. É muita informação em poucas horas e, por consequência, o cérebro está em uma espécie de alerta constante. E são informações com teores bem variados: debate agressivo, tragédia, piada e assim por diante. E tudo acontece num mesmo feed, isto é, um fluxo contínuo e atualizado diariamente. Por consequência, fica difícil para o ser humano equilibrar seu emocional, dado que ele precisa digerir uma quantidade considerável de notícias. Outro aspecto é que, com o advento das redes sociais, as informações, notícias, todas estão concentradas em uma mesma bolha, na internet. Anos atrás, por exemplo, quando você conversava com um vizinho que tinha um pensamento diferente do seu, embora discordassem, ocorria um respeito mútuo, isto é, a relação de convivência e intimidade fazia esse papel. Na internet, intimidade ou relação é algo muito distante. Como não existe um repertório de convivência, os choques acontecem e ocorrem de forma violenta. Vira violência e não diálogo.

Na verdade, as redes sociais são uma espécie de um grande palco, onde o internauta descarrega seu lado destrutivo e mais obscuro. Ele extrapola sua violência por meio dos cancelamentos, discursos de ódio e assim por diante. A rede social não é um local para o sujeito enriquecer sua narrativa, mas para deslegitimar o discurso do outro. Não é na fala, é no grito e na fragmentação do outro. Assim, o ambiente virtual oferece laços sociais extremamente frágeis e voláteis, onde o ser humano se sente detentor do poder de decidir a vida do outro. E essa fragilidade nas relações sociais está alcançando o ambiente real, isto é, as pessoas estão mais pragmáticas e menos reflexivas acerca das circunstâncias da vida – é ação e reação.

A performance que as redes sociais exigem: validação, ódio, imediatismo, humilhação, ataque pessoal está alcançando a realidade. Como eu comentei no início deste artigo, como a violência está banalizada, os noticiários estão mostrando isso todos os dias. As reações estão desproporcionais, as pessoas estão levando tudo para o lado pessoal e violento. Ao mesmo tempo, é um reflexo da falência das referências sociais, isto é, os modelos sociais não estão dando conta da banalização performática que está invadindo suas estruturas.

Atualmente, a sociedade está repleta de indivíduos que precisam sustentar imagens e não algo mais profundo e cerebral. Tudo é parco, teatralizado e de pouco sustentação, consequentemente, quando desaba, tomba permeado de uma violência difusa. Tudo fica banalizado, o ser humano perdido entre o real e o virtual, despencando em um vazio sem fim, querendo buscar amparo em uma dúzia de likes e de aparições nas redes sociais.

A cultura atual oferta uma vida com a cara de um roteiro, onde o indivíduo se sente o ator principal, que cria suas cenas e recortes, mas com um cenário vago e de pouca compreensão. Tudo tão superficial, tudo tão performático e banal. A sociedade precisa urgentemente rever seus princípios perante o ser humano. Do jeito que as coisas estão indo, a performance da banalização está cada vez mais criando corpo.

O SENHOR É A MINHA LUZ E A MINHA SALVAÇÃO

Sabemos que esta realidade que se apresenta é uma realidade de um mundo em pecado. Por outro lado, o salmo 27 mostra uma realidade que é intrínseca ao ser humano – sua propensão ao medo. De fato, todos nós temos o sentimento de medo – o mundo nos causa medo. Por vezes, o homem tem a sensação que realiza sua vida de uma forma solitária, que enfrenta os obstáculos por contra própria, mas não. O salmo 27 aponta um Davi que sabe que o Senhor está ao seu lado – ele sabe que não precisa temer.

E a mensagem do salmo 27 também é para nós, para você, irmão na fé. O Senhor é luz e salvação, Jesus Cristo é proteção e descanso para aqueles que confiam nele, dado que Cristo redimiu à humanidade. Jesus é quem fortalece nossa fé, nossa esperança perante um mundo cheio de performances do pecado. Sim, irmão, tenhamos esperança em Jesus, pois ele está do nosso lado, do teu lado.

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