A missão completa da igreja é: Ir, batizar e ensinar

Pastor Lucas Pinz Graffunder
Congregação Rei Jesus – Novo Hamburgo, RS

          Queridos irmãos e irmãs em Cristo, Jesus, em Mateus 28, não entregou à sua Igreja uma missão pela metade. Ele disse: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado.”

          Nós conhecemos bem esse texto. Talvez até conheçamos tão bem que corremos o risco de ouvir apenas uma parte dele. Alguns ouvem muito bem o “ide”. Outros ouvem muito bem o “ensinando”. Mas Jesus colocou tudo junto: ir, batizar e ensinar.

          E aqui, como Igreja Evangélica Luterana do Brasil, nós podemos reconhecer algo com sinceridade diante de Deus. Nós temos uma tradição muito forte no ensino. E isso é uma bênção. Nós prezamos pela doutrina, pela catequese, pela clareza bíblica, pela distinção entre Lei e Evangelho, pelos Sacramentos, pela fidelidade à Palavra. Isso não é pouco. Num tempo em que muita gente troca doutrina por emoção, profundidade por espetáculo e confissão por opinião, o Senhor tem nos dado um tesouro precioso.

          Mas talvez justamente por valorizarmos tanto o ensino, nós precisemos ouvir novamente a primeira palavra do envio: ide.

          Porque a Igreja não foi chamada apenas para ensinar os que já estão dentro. Ela também foi enviada aos que estão fora. Aos que se afastaram. Aos que nunca ouviram com clareza. Aos que passam pelas nossas igrejas, nossas escolas, nossas famílias, nossos bairros, nossos locais de trabalho, mas ainda não foram convidados, acolhidos, ouvidos e conduzidos a Cristo.

          O “ir” não nega o “ensinar”. O “ir” leva ao “ensinar”. E o “ensinar” dá conteúdo ao “ir”. Separar essas coisas é sempre perigoso. Se nós apenas vamos, mas não ensinamos, fazemos contato, mas não fazemos discípulos. Se nós apenas ensinamos, mas não vamos, guardamos o tesouro, mas nem sempre o levamos até quem precisa dele.

          Jesus não nos autorizou a escolher a parte da missão que combina mais com o nosso temperamento. Ele nos mandou obedecer à missão inteira.

          E aqui podemos lembrar também da oração sacerdotal de Jesus, em João 17. Jesus ora para que os seus sejam um. Essa unidade não é uma unidade vazia, sem verdade, sem Palavra, sem doutrina. Jesus diz: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” A unidade cristã verdadeira nasce da Palavra de Cristo.

          Mas essa oração também nos ensina humildade. Nós não somos os donos da missão. Somos servos dela. E, com humildade, podemos reconhecer que há irmãos de outras denominações cristãs que, muitas vezes, têm mais facilidade em ir, convidar, procurar, conversar, alcançar, abrir portas e criar pontes. Nós não precisamos copiar tudo. Não precisamos abrir mão da nossa confissão. Não precisamos abandonar aquilo que recebemos. Mas podemos reconhecer, sem medo, que às vezes outros cristãos nos lembram de algo que nós mesmos deixamos meio adormecido: a urgência de ir.

          Da mesma forma, nós também podemos dizer, com gratidão e sem soberba, que a tradição luterana tem muito a oferecer no ensinar. Nós sabemos que fé não é entusiasmo passageiro. Sabemos que discipulado precisa de Palavra, Batismo, Santa Ceia, catequese, culto, confissão, absolvição, vida congregacional. Sabemos que Cristo não apenas chama pessoas para uma experiência, mas as coloca em sua Igreja, sob sua Palavra, recebendo seus dons.

          Então talvez a pergunta para nós, como igreja Luterana, seja esta: como podemos unir melhor aquilo que Jesus nunca separou?

– Como podemos ir mais, sem ensinar menos?

– Como podemos alcançar mais pessoas, sem diluir a doutrina?

– Como podemos abrir mais portas, sem fechar a Bíblia?

– Como podemos ser mais intencionais na missão, sem transformar a Igreja numa empresa de resultados?

          A resposta começa voltando ao próprio Cristo. A missão não nasce da nossa ansiedade. Não nasce da comparação com outras igrejas. Não nasce do medo de diminuir. A missão nasce do Senhor ressuscitado, que diz: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.” É porque Cristo reina que a Igreja vai. É porque Cristo salva que a Igreja batiza. É porque Cristo fala que a Igreja ensina.

          E o mesmo Jesus que envia também promete: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do séculos.”

          Nós não vamos sozinhos. Nós não ensinamos com autoridade própria. Nós não batizamos em nosso nome. Cristo vai conosco. Cristo age por sua Palavra. Cristo cria e sustenta a fé. Cristo reúne sua Igreja.

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