Setembro Amarelo tornou-se um movimento permanente em prol da saúde mental

A Hora Luterana, o Vivenciar e diversas igrejas passaram a atuar de forma mais significativa na abordagem do tema, ampliando espaços de diálogo, acolhimento e conscientização


Por Aline Kolbe
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As ações promovidas pela campanha Setembro Amarelo ganharam maior notoriedade nos últimos anos. A Hora Luterana, o Vivenciar e diversas igrejas passaram a atuar de forma mais significativa na abordagem do tema, ampliando espaços de diálogo, acolhimento e conscientização.

No Brasil, a campanha de prevenção ao suicídio teve início em 2015, com o apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Realizada durante todo o mês de setembro, especialmente em torno do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, celebrado em 10 de setembro, a campanha busca promover informação, acolhimento e uma conversa aberta sobre saúde mental.

A escolha da cor amarela está ligada à história de Mike Emme, um jovem norte-americano conhecido por seu carro amarelo. Após sua morte por suicídio, familiares e amigos criaram o movimento Yellow Ribbon (Fita Amarela), com o objetivo de incentivar o diálogo e a busca por ajuda.

O que mudou em 2025 e 2026?

Se antes o Setembro Amarelo era lembrado principalmente durante o mês de setembro, hoje a pauta da saúde mental está presente ao longo de todo o ano, em diferentes contextos sociais e profissionais. Esse movimento reforça o propósito original da campanha: a prevenção por meio da conscientização, do cuidado e do acesso ao apoio adequado.

A saúde mental passou a ser tratada como uma necessidade permanente, e não apenas como tema de uma ação pontual. Desde 2025, a discussão tem se fortalecido em escolas, universidades, políticas públicas e, cada vez mais, nos ambientes de trabalho. Esse avanço pode ser observado, por exemplo, nas atualizações da NR-1, norma que estabelece as regras gerais de segurança e saúde no trabalho no Brasil, e na crescente compreensão de que a saúde mental é uma questão de saúde pública e de responsabilidade coletiva.

O que a Hora Luterana tem feito?

O Vivenciar é a ferramenta de evangelismo digital da Hora Luterana, que constantemente produz conteúdos diversos para atender e informar cristãos e não cristãos, oferecendo escuta e diálogo com segurança emocional e sigilo, por meio de voluntários que se revezam nos acolhimentos.

Para entender melhor a relevância e o funcionamento desse trabalho, entrevistamos alguns voluntários e vamos apresentar as respostas de forma geral, preservando também a identidade de cada um, com foco no trabalho do Vivenciar.net, destacando o acolhimento espiritual e a sensibilidade humana necessários para lidar com esse tema.

De que forma o trabalho realizado pelo Vivenciar.net ajuda a conectar pessoas em sofrimento a uma rede de escuta, apoio e esperança?

O Vivenciar oferece uma base segura para que as pessoas possam falar dos seus sentimentos sem medo de julgamento. Muitas vezes, apenas uma conversa acolhedora pode ser o primeiro passo para que alguém encontre ajuda e esperança.

Quando falamos em prevenção ao suicídio, qual é a principal mensagem que você acredita que as pessoas precisam ouvir hoje?

Há momentos em que não conseguimos enxergar as coisas com clareza, mas sempre há esperança, não importa qual seja a situação. Você é importante e vale muito para Deus. Jesus está presente em qualquer situação e pode nos sustentar e fortalecer, inclusive por meio da ajuda de pessoas, profissionais e redes de apoio.

Muitas pessoas enfrentam sofrimento emocional em silêncio. Quais sinais podem indicar que alguém está precisando de ajuda, mesmo que não fale abertamente sobre isso?

A mensagem do sofrimento está muitas vezes escondida, mas seus sinais são perceptíveis para quem realmente está atento. Mudanças bruscas de humor. Descuido com a própria saúde. Conversas frequentes com tom de despedida e/ou sobre morte. Manifestações de que a vida dos outros seria melhor se a pessoa não existisse mais. Que não vale mais a pena viver. Mas os sinais variam de pessoa para pessoa e não devem ser analisados isoladamente.

Quais equívocos mais dificultam a prevenção e o acolhimento de quem sofre?

Penso que seja o fato de acreditar que falar sobre o assunto incentiva o suicídio ou pensar que quem pede ajuda está querendo apenas chamar atenção. Esse tipo de pensamento dificulta o acolhimento e pode impedir que as pessoas recebam ajuda e apoio.

De que forma uma escuta atenta e sem julgamentos pode fazer diferença na vida de alguém que está passando por um momento de crise?

Ouvir sem julgar é fundamental. Parto do princípio de que, se a pessoa entrou em contato conosco, é porque muitas portas já se fecharam e ela já foi julgada ou condenada pelas pessoas ao seu redor. Se nós, do Vivenciar, a julgarmos, podemos perder uma importante oportunidade de acolhimento e apoio.

O que amigos, familiares e colegas podem fazer quando percebem que uma pessoa próxima está enfrentando sofrimento emocional intenso?

Acolher, escutar sem julgamentos, abraçar e até mesmo chorar com os que choram. Esse é o primeiro passo para ajudar. Creio que tudo começa com a criação de um vínculo verdadeiro e, só então, com a tentativa de “direcionar” as conversas ou os aconselhamentos.

A rede de apoio próxima não tem o papel de curar a pessoa, mas funciona como o primeiro socorro emocional. Isso pode ser feito por meio de uma abordagem afetuosa, da prática do acolhimento, do auxílio na busca por ajuda profissional e da honestidade ao perguntar se o próximo pensa em pôr fim à própria vida.

Como podemos criar ambientes mais acolhedores para que as pessoas se sintam seguras para falar sobre seus sentimentos e pedir ajuda?

Criar espaços onde as pessoas se sintam seguras para tirar as máscaras e pedir ajuda exige uma mudança cultural. Seja em casa, na faculdade ou no ambiente de trabalho, a segurança psicológica não surge por decreto; ela é construída nos detalhes do dia a dia.

Qual é a importância de campanhas como o Setembro Amarelo para ampliar a conscientização sobre saúde mental e prevenção ao suicídio?

Necessária e oportuna. Mas a temática da saúde mental e da prevenção ao suicídio é algo que deve permear as conversas, mensagens e estudos ao longo do ano inteiro. Não é necessário que se façam referências diretas. No entanto, quem ama se preocupa com a saúde mental dos outros. Todos os dias!

O que eu não perguntei, mas você considera importante que as pessoas saibam sobre acolhimento emocional e prevenção ao suicídio?

Sobre a relação do tema com a fé cristã.

Há muitos textos bíblicos que são oportunos para ajudar nessa conversa. O envolvimento da igreja nessa temática e em seu debate tem muito a contribuir socialmente e para a salvação eterna de muitas pessoas.

É necessário ainda destacar que a ideação suicida requer atenção séria. Psicólogos, psiquiatras, CAPS, UBS e outros serviços são recursos importantes e, em situações de risco imediato, deve-se procurar ajuda emergencial. A fé não substitui tratamento ou apoio profissional. Caso queira conversar, entre em contato com o Vivenciar.net.

Acesse Vivenciar.net e veja os conteúdos sobre o tema.

Acesse aqui a versão impressa.

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