Maria deve estar mais aliviada agora!

Pastor Lucas Pinz Graffunder
Congregação Rei Jesus
Novo Hamburgo, RS

Quem lê o Livro de Concórdia sabe: desde o século XVI os luteranos afirmam a centralidade absoluta de Cristo como único Mediador e Redentor, rejeitando qualquer linguagem ou prática que coloque Maria, por mais honrável que seja, no lugar que pertence somente a Jesus. A Apologia da Confissão de Augsburgo (Art. XXI) defende a gratidão, o fortalecimento da fé e a imitação dos santos, mas recusa a invocação deles e qualquer confiança nos seus “méritos”, lembrando que, na prática popular, Maria “tomou inteiramente o lugar de Cristo”, algo que o Evangelho não autoriza . A Fórmula de Concórdia é igualmente cristalina: nossa justiça repousa apenas em Cristo, cuja obediência perfeita, Deus e homem, é o fundamento exclusivo da salvação; nenhuma outra mediação pode ser somada à dele .

E o que a Igreja Católica Romana está dizendo agora? O recente texto do Dicastério para a Doutrina da Fé sobre alguns títulos marianos deixa claro que chamar Maria de “Corredentora” é inoportuno e gera confusão, porque corre o risco de obscurecer a única mediação salvífica de Cristo (At 4.12; 1Tm 2.5–6). O documento recorda, inclusive, pronunciamentos pontifícios recentes: “Cristo é o único Redentor: não existem corredentores com Cristo” e que “o Redentor é um só e este título não se duplica”. Na prática, a nota desencoraja “Corredentora” e delimita “Medianeira” a um sentido subordinado, de cooperação e intercessão materna, sem qualquer acréscimo de eficácia à obra de Cristo. Nesse ponto ainda é preciso melhor. O próprio texto relembra que o Vaticano II evitou “Corredentora” e que avaliações anteriores na Cúria consideraram o título impróprio por não ter base clara na Escritura e na tradição apostólica em sentido definível .

Em bom português: os luteranos já diziam isso. Honrar Maria? Sim. Imitar sua fé? Sem dúvida. Substituir ou somar a ela qualquer parcela da redenção ou mediação de Cristo? Não. E a ICAR, ao podar “Corredentora” e apertar os limites de “Medianeira”, acabou se aproximando do que já mostrávamos, que somente Jesus salva e que nenhuma linguagem devocional deve diluir essa verdade (Hb 10; At 4.12) .

Quem sabe o próximo passo seja reconhecer o erro que é a doutrina papal?

ROMANOS, VOLTEM PARA A CONCÓRDIA…

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