30 anos de cooperação entre Brasil e África do Sul

A cooperação entre a Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) e o Sínodo de Igrejas Livres da África do Sul (FELSISA), igreja luterana irmã da África do Sul, completa 30 anos no mês de julho deste ano.

Elmer Flor, DTh
pastor luterano emérito
atuou na FELSISA de 1994 a 2001

       

PREÂMBULO

       No ano do 90º aniversário do Seminário Concórdia, em julho de 1993, o Coro Orfeônico partiu de São Leopoldo, RS, para a maior excursão artística de sua história, até a cidade de Campina Grande, na Paraíba. Apresentou-se a cada noite em cidades ao longo do caminho. Em João Pessoa, fomos conhecer o Farol do Cabo Branco, reconhecido como o ponto geográfico mais oriental (ao leste) do Brasil continental e mais próximo da África. Aquela visita foi um momento mágico, foi um olhar para a imensidão do oceano como se alguém avistasse a África ao longe – e que em pouco tempo ficaria bem mais próxima. O que segue aconteceu um mês mais tarde. Coincidência? O dedo de Deus? 

Coral do Seminário Concórdia em 1993

IELB/FELSISA

        Uma correspondência recebida pelo Departamento de Missão da IELB, em agosto de 1993, vinda do então diretor da Hora Luterana da África do Sul, Rudi Schwacke, sondava a possibilidade de a IELB dispor de pastores que pudessem exercer o ministério naquela igreja nas línguas alemã e inglesa. Era como se fosse a repetição do grito macedônicode Atos 16, na visão do Apóstolo Paulo em Trôade: “Passem para cá e ajudem-nos!” Em dezembro, o pedido me foi entregue, e em abril fiz minha primeira visita a Johannesburg, nos dias da primeira eleição democrática do país, quando Nelson Mandela chegou à presidência depois de 26 anos de prisão pelo Apartheid. Para celebrar esse fato, atualmente o dia 27 de abril é feriado nacional como o “Dia da Liberdade” (Freedom Day).

Nave da igreja St Paul´s de Joanesburgo

JOANESBURGO

       Em 24 de julho de 1994, fui instalado como pastor chamado pela St Paul’s Lutheran Church em Fairland, subúrbio de Joanesburgo, como primeiro fruto da cooperação entre as duas igrejas. Os cultos eram realizados normalmente aos domingos pela manhã, às 8h30 em língua alemã e, às 10h15, em língua inglesa. Em sua origem, a Congregação era formada por um grupo de luteranos de origem alemã, que por muito tempo mantinha o trabalho, tanto do ponto de vista de participação, como também na área das finanças. Essa realidade passou a se modificar a partir das novas condições sociais e políticas da África do Sul. Vários membros e suas famílias emigraram para a Europa, Austrália e Canadá, entre outros, de modo que a base alemã foi diminuindo. Ao mesmo tempo, o grupo de fala inglesa cresceu, tornando-se hoje bem mais numeroso. O próprio Sínodo de Igrejas Livres da África do Sul (esse é o significado da sigla FELSISA) aos poucos foi se adaptando às condições que se estabeleceram no país. O Seminário Teológico do sínodo, que por muito tempo tinha sua sede no interior da província de Natal (Enhanhleni) mudou-se para a capital administrativa, Pretória, em 2001. Antes ministrava as aulas em alemão, mas hoje o faz na língua inglesa.

Visita recente à igreja St Paul’s 

Ao longo desses 30 anos, a FELSISA contou com a presença abençoada de pastores brasileiros: o falecido pastor Adriano Littig, em Pretória; do pastor Carlos Walter Winterle, que atuou na Cidade do Cabo e também como reitor do Seminário de Pretória; e do pastor Fernando Huf, que há um ano atua como professor do mesmo seminário.

COMEMORAÇÃO E AGRADECIMENTO

        A comemoração dos 30 anos teve lugar no domingo Rogate, em 5 de maio último, na Congregação St Paul´s, de Johannesburgo, e contou com minha participação nas mensagens, tanto em alemão como em inglês. Foi um dia abençoado em que voltamos a conviver com os irmãos na fé nesse trabalho conjunto das últimas três décadas. O pastor atual é Martin Paul, irmão do bispo Helmut Paul, que expressou o seu agradecimento à IELB e aos pastores e membros da igreja em festa. É uma linda história de sementeira e de colheita na relação intercontinental de duas igrejas-irmãs e que deve continuar, sob a bênção do Senhor da colheita.

Encontro com um grupo de membros antigos da Congregação

           

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