75 anos de história

No dia 16 de janeiro de 2021, a LLLB se reúne em oração para celebrar os 50 anos de trabalhos ininterruptos desde 1971. O Cinquentenário, data em que também queremos comemorar no 24º Congresso Nacional em Aracruz, ES, em 2022, é o momento para olharmos para trás e reconhecermos a ação onipresente de Deus e de todos os líderes e servos dedicados que atuaram na Liga de Leigos. Mas, nesse Jubileu de Ouro, quero trazer uma nova memória – olhar ainda mais para trás. Talvez uma narrativa que alguns conheçam, mas que preferiram deixar de lado, ou uma novidade gigante para a construção histórica…

Der teufel lebt im Detail, é um popular ditado alemão. “O diabo está nos detalhes” significa que os pormenores que nós ignoramos ou passamos batido podem ter significativos impactos no futuro. Esta gestão da DN redescobriu um importantíssimo detalhe arquivado e registrado no Instituto Histórico da IELB, nos documentos oficiais da Liga de Leigos Luteranos do Brasil. Lá, seguro com o guardião do IH, o Sr. Paulo Udo Kunstmann, a quem devo esta descoberta, está um caderno de atas cujas páginas não eram lidas há muito tempo. Ela conta a história da fundação da Liga de Leigos de Luteranos do Brasil. Sim, é isso mesmo! Mas não é o texto de ’71 como esperamos. É um texto surpreendente, que resumo agora: após uma recomendação da Convenção Nacional do então Sínodo Evangélico Luterano do Brasil, trinta homens, dentre leigos e pastores, decidiram, unanimemente, fundar a Associação de Leigos Luteranos do Brasil. Os primeiros diálogos para o início dos trabalhos desta “agremiação”, como era chamada informalmente, buscavam responder a perguntas como “É conveniente fundar?” e “Qual será o objetivo?”. Temerosos estavam, talvez, pela época de pós-guerra em que se encontravam. Após a resposta simples e a decisão da fundação, elegeu-se a primeira Diretoria Nacional dos Leigos. O seu primeiro presidente foi o Sr. Max Schön. A Associação, inclusive, fixava mensalidade aos seus sócios, de acordo com a ata. Enfim, agora vem a parte mais interessante: tudo isso aconteceu num domingo, no dia 27 de janeiro de 1946. Há mais de 74 anos.

O Cinquentenário que comemoramos agora em 2021, de acordo com os novos relatos históricos, já aconteceu. Foi rolado em 1996. O que deveríamos celebrar, na verdade, é o jubileu de 75 anos! Esse “pequeno” detalhe que não sobrevivera ao teste do tempo, de fato, não tem diabo nenhum. O diabo é o que vamos fazer com ele. Antes de decidir, é importante dizer que História, com H maiúsculo mesmo, é uma construção. É revisitada e realinhada sempre que novos dados surgem. E, creio eu, é assim que devemos agir: reconstruir a linhagem narrativa dos fatos da LLLB. Pode ser um desafio.

Quero jogar aqui, ainda, uma outra perspectiva. Gott lebt im Detail, Deus está nos detalhes, em PT-BR. Lendo as origens da Liga e seus objetivos, podemos acompanhar como esses líderes dispuseram das melhores bases e fundações para a LLLB. Lembremos: o único relato posterior a 1946 e anterior a 1971 registrado nos Arquivos do IH também é uma ata. Uma ata bem triste, para falar a verdade. Ela já chama a atenção para a data escrita no cabeçalho: 30 de janeiro de 1948. 2 anos após a fundação. E é a folha imediatamente após a primeira ata! Também por ocasião de uma Convenção Sinodal, o presidente da agora Liga de Leigos Luteranos do Brasil, Sr. Schön, escolhe um secretário interino para a redação da ata. Depois, passa a explicar a demissão de todos os outros membros da Diretoria, com exceção dele e do Rev. Victor Lehenbauer, um dos conselheiros da gestão. A ata registra uma viagem do Rev. Lehenbauer aos Estados Unidos solicitando à Igreja americana “material necessário para a propagação e divulgação e organização de tal agremiação”. Diz ainda que muitos documentos e textos foram publicados nas revistas da Igreja, mas, após uma breve pesquisa, não conseguimos identificar nenhuma citação à “liga de leigos”, “liga nacional” ou “agremiação” nos textos daquela época no ML e nem no Der Lutheraner. Após o relato da viagem, a ata atesta os objetivos da Liga de Leigos, nas palavras do Rev. Lehenbauer: “aprofundar-se no estudo da Palavra de Deus, contribuir para o sustento da Igreja, melhorar a educação dos leigos luteranos e incentivar o interesse para a Igreja” E completa: “O programa é muito vasto: levantar coletas e financiar Seminários para leigos, etc”. Mesmo com a resposta, os leigos presentes questionaram se o momento era cedo demais para o desenvolvimento de uma Liga Nacional, alegando que, para isso, um trabalho de base deveria acontecer primeiro, ou seja, formando departamentos locais. O Rev. Lehenbauer é descrito como trazendo a história de uma Liga de sucesso, a da LC-MS, que foi formada com apenas 12 leigos e cuja ação rendeu à Igreja mais de 3 milhões de dólares. Hoje, a Liga de Leigos americana está mesclada com a Lutheran Hour Ministries, responsável pela divulgação do Evangelho em todo o mundo. O texto aqui diz que houve “longa e calorosa discussão sobre o assunto”. Finalizando, os líderes ali reunidos decidiram colocar a Liga nas mãos de uma “Comissão Missionária”, mais o atual presidente, para…

Virando a página desta ata, apenas vemos as assinaturas de quem participou e linhas e papel em branco até o final do livro.

O salto aqui é de um pouco mais de 20 anos, quando chegamos nas atas de reuniões da Comissão Organizadora para um evento nacional dos leigos, em 1969. Não é citado em nenhum momento o que fora decidido anteriormente. Até que, em 16 de janeiro de 1971, “funda-se”, novamente, a Liga de Leigos Luteranos do Brasil. E daí pra frente é mais fácil recordar. Temos mais pessoas que vivenciaram e ainda podem contar como foi. Temos mais histórias da ação infalível de Deus nos desafios e projetos de cada gestão.

O destaque da história aqui fica para esse limbo de 20 e alguns anos. É certo que os leigos não desapareceram e desistiram nessas duas décadas. Pode não ter tido uma coordenação a nível nacional, mas a história nesse meio tempo está pulverizada nas atas e nos registros dos departamentos locais, que valem ser revisitados e resgatados. Apesar de tudo, é salutar lembrar das falas do pastor Lehenbauer lá em 1948. Que a Liga está fundada, embasada e firmada em Cristo desde sua concepção. E, com a graça de Deus, mesmo com tropeços e silêncio em alguns momentos, seu trabalho nunca foi em vão, nunca deixou de receber, viver e compartilhar os ensinamentos dos apóstolos, o amor cristão, o perdão, a vida e a salvação. Portanto, podem ser 50, 60, 74 ou até mais anos de vida. Alguns chamam de jubileu de ouro, outros de diamante e alguns de brilhantes. Mas o que importa mesmo é que a fundação dela está no Senhor. Aí, realmente, não tem data, anos, nem metal nem pedra; celebramos diariamente a graça de Deus na LLLB.

Que nesse início de ano, possamos comemorar todos os janeiros de vida da LLLB e, assim como foi idealizada, nos perguntar: como podemos fazer mais para a Igreja? Como podemos, com o braço forte, contribuir para independência definitiva da Hora Luterana brasileira? Chegou o momento de responder essas perguntas.

Parabéns, leigos! Vamos juntos marchar com Jesus!

Giovanni Werneck

Assessor de Comunicação

Diretoria Nacional

Liga de Leigos Luteranos do Brasil

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