Cristo para todos – Cristo para os indígenas

Em 19 de abril, celebramos o Dia do Índio. Data que, acima de tudo, nos faz refletir sobre a dívida que os brancos têm com esses seres humanos que, em sua maioria, foram dizimados.

Logo a partir de 1500, quando os portugueses descobriram o Brasil, os índios eram forçados à conversão católica, sob o lema: “A Cruz ou a Espada” – isto é, ou permitiam a catequização ou seriam mortos. E ainda eram tidos por alguns como seres sem alma.

No século passado, na década de 1960, quando se deu a grande migração do Sul e do Sudeste brasileiro para a Região Amazônica, sob o lema: “Integrar para não entregar”, visto que a soberania da Amazônia Legal estava sob ameaça de invasão estrangeira, os indígenas, mais uma vez, se sentiram fortemente ameaçados.

Diante desse quadro histórico, o cacique da aldeia Suruí, Matera Suruí, relata: “Com a chegada dos brancos, pensávamos que matariam todos nós, mas alguns brancos vieram nos trazer Jesus e a salvação”. Essa frase tem marcado muito a missão da IELB nessa aldeia de indígenas em Cacoal desde 2009. Conforme o pastor Valci Sering, de Ministro Andreazza, RO, são irmãos que abraçaram a fé cristã e se tornaram exemplos de vida de santificação. “Certa vez alguém tentou mostrar-lhes material pornográfico pelo celular, e foi surpreendido, quando esses lhe disseram: ‘Nós não olhamos isso, porque hoje nós somos cristãos luteranos’”, exemplificou.

Mas essa unidade e empatia não foi imediata. O pastor relembra a construção desse processo e seu sonho de evangelizar os índios. “Em 1979, quando fui para Rondônia pela primeira vez, tinha esse desejo de trabalhar com os índios, porque sabia que eles não tinham atendimento espiritual. Tínhamos contato com eles, mas não fazíamos atendimento pastoral. Em 1997, quando me formei, fui para o Acre e, só em 2009, quando retornei a Rondônia, consegui realizar o sonho. Graças a Deus, é um grupo muito estável, cada vez mais firmados na fé e na doutrina luterana”, resumiu.

Ainda lembra que a primeira visita à aldeia foi sob apreensão e desconfiança. “Levei o meu acordeom, tocamos e cantamos algumas músicas sertanejas e evangélicas. Indaguei se poderia voltar em outras ocasiões. A reposta foi sim. E, desde então, temos a oportunidade de compartilhar o evangelho de Jesus com essa maravilhosa comunidade”, completou.

A Aldeia Suruí é composta por 14 integrantes, e todos são membros da Igreja Evangélica Luterana do Brasil. O atendimento é mensal, por causa do difícil acesso. Pastor Valci descreve que os cultos são frequentados com muita reverência, com a participação assídua de todos da aldeia, que atendem, normalmente, ao chamamento de um assobio do cacique, que assim naturalmente exerce a sua autoridade.

Nilson Suruí, líder e tradutor, afirma que, o que identificou a sua aldeia com a IELB é a forma de pregar a Palavra de Deus, a partir da Bíblia, já que a reconhecem como tal.

Por fim, compartilha um desejo antigo da aldeia: construir um templo luterano como identificação e também para expandir a missão da IELB, convidando outras aldeias a participarem das programações.

Já dizia o profeta Isaías que toda palavra dita por Deus jamais voltará vazia! Oremos pelos nossos irmãos indígenas! Oremos pela missão da IELB para e com todos!

UM FRUTO DA MISSÃO INDÍGENA


Conhecido no meio luterano como o pastor Índio Nimbú, de Bauru, SP, Alexandre Manoel da Costa divide sua história de vida entre antes e depois de conhecer Jesus.

Acompanhe o breve relato de sua trajetória, desde a infância com a família, na aldeia indígena, até conhecer a Igreja Luterana, e o que o motivou a se tornar pastor.

Minha vida sem Jesus

A minha infância não foi nada fácil… éramos em quatro irmãos do mesmo pai e mãe, tínhamos também três irmãs por parte de mãe e mais uma por parte de pai. O contexto social era uma mistura de área urbana e aldeias, com índios e brancos convivendo nas cidades de Aquidauana e Anastácio, MS. Quando tinha 11 anos de idade, meu pai faleceu, o que fez com que eu fosse obrigado a arrumar um emprego aos 12 anos. Aos 14 anos, conheci a Igreja Luterana por intermédio do meu primo, Edson Nimbú. Nessa época, a IELB já havia iniciado a evangelização na cidade de Anastácio, com os índios Terenas, especialmente com a família Nimbú. No entanto, o contexto social influenciou muito a minha religiosidade. Praticamente acreditava em tudo e desconfiava dos pastores que só enganavam as pessoas com promessas falsas usando a Palavra de Deus! Resumindo, se morresse naquela época, o inferno estava garantido!

Minha vida com Jesus

Engraçado dizer que, quando conheci a Igreja Luterana, não fui logo ao culto ou ao estudo bíblico. E não foi por falta de convites! É que eu achava que pastor era tudo igual… (risos). “Vou nada! Pastor vai falar que jogar futebol, assistir televisão, usar bermuda… é coisa do diabo, tô fora!” Então, o convite irrecusável surgiu: “Vamos jantar na casa do pastor!” O jantar foi o maior escândalo e pedra de tropeço para a minha “religiosidade indígena/urbana”. Por ironia do destino, o pastor vestia bermuda e uma camiseta de um time de futebol do Sul (não vou falar qual), tinha televisão… Pensei comigo: “Esse pastor é do diabo!” Entretanto, o “gancho evangelístico” do pastor veio com a seguinte afirmação: “Vou mostrar a você, na Bíblia, como Jesus quer que você viva a sua vida aqui e como ele garante sua eternidade no céu”. Resumindo, em janeiro de 1984 eu estava chegando no Instituto Concórdia de São Paulo (ICSP), para morar no internato e cursar Ensino Médio – Magistério com Especialização em Educação Infantil.

Acolhimento… e segundo choque

Fui muito bem acolhido pela Igreja Luterana de uma forma geral, desde Aquidauana e Anastácio, passando pelo Distrito Mato Grosso do Sul (DIMASUL) e todas as congregações da IELB.

Se por um lado, tive um choque no primeiro momento em que conheci o pastor luterano, o segundo choque foi quando conheci o Instituto Concórdia de São Paulo, mais especificamente a grade estudantil. Cheguei com uma base de ensino muito aquém do esperado, o que gerou muita dificuldade em acompanhar as matérias escolares. Resumindo, apesar das dificuldades de adaptação com a cultura do internato, um novo jeito de estudar, morar com “estranhos”… posso afirmar com muita alegria: não faltaram corações generosos para dar apoio e orientações para esse índio assimilar um turbilhão de coisas novas na cultura, na religião e nos estudos.

De professor a pastor

Quando ingressei no Instituto Concórdia de São Paulo, sempre deixei bem claro que queria ser professor. Conclui o curso de Magistério e Diaconia em Educação Cristã em cinco anos. E, por providência divina, no meu último ano de Ensino Médio, cheguei à seguinte conclusão: “Ser professor ou pastor, só muda a matéria a ser ensinada”. Resumindo, a partir de então, foquei que seria pastor luterano, igual ao meu pastor José Euclides D’Avila dos Santos, que fez minha profissão de fé e batismo lá em Aquidauana e Anastácio. Assim, além dos cinco anos de Ensino Médio, foram mais 6 anos no Curso de Teologia – tudo que eu jamais imaginei quando vivia nos rios e açudes nas fazendas e aldeias lá naquele mundão de Deus onde eu morava. É inexplicável o meu sentimento pela Igreja Evangélica Luterana do Brasil, somente um coração indígena convertido é capaz de sentir isso tudo. Sem desmerecer ninguém. Fui abraçado pelo “mundo luterano”, nas congregações e no Seminário. Só gratidão a Deus e aos meus irmãos em Cristo Jesus.

Colhendo frutos e investindo na missão

A missão da igreja é evangelizar as nações (Mt 28.19,20). Portanto, o objetivo está claro. Evangelizar requer estratégias. Estratégias requerem avaliações. Avaliações trazem mudanças. Resumindo, temos o ensino claro das Escrituras Sagradas, precisamos investir mais em treinamento em busca de estratégias que atinjam não só os índios, mas todas as pessoas. E na missão com os índios não é diferente. A IELB continua alimentando a fé cristã dos índios Terenas e semeando a Palavra de Deus. Está dando certo? Sim. Evangelizou meu tio Antônio Nimbú, meu primo Elias Nimbú (pai e filho luteranos) que foram caciques na aldeia na cidade de Anastácio onde fundaram a IgreOca Luterana. Deu certo sim, sou testemunha disso! Penso que academicamente, temos uma formação teológica muito rica e profunda. Precisamos investir mais nas estratégias para a evangelização interna e externa, ou seja, cuidar dos luteranos e buscar novos membros, sempre um processo contínuo, até Jesus voltar.

Obrigado, Igreja Luterana, por me apresentar Jesus, meu Senhor e Salvador! Amém!

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