Senhor, dá tempo para mim!

“Que alívio!”, diz quem ouve esta afirmação, mas busca prazeres terrenos – em especial os prazeres que o dinheiro pode pagar. Responde assim, quem corre atrás de prazeres, e já largou as ferramentas de trabalho e se apronta para o folguedo. Porque vai haver “festança”, verifica sua “algibeira” para ver se há o suficiente para tudo o que a sedução de seu corpo deseja. – Jó tinha suas preocupações com isso, quando seus filhos se reuniam para festejar. Por isso, quando o ambiente se acalmava, ele reunia os filhos e realizava culto ao Senhor, visto que sua alma sentia temor que eles tivessem feito um mau aproveitamento do tempo.

O homem do evangelho, que provavelmente era de alguma idade, mas ainda robusto, também julgou que aproveitou bem o tempo quando recolheu sua colheita em celeiros, porque quis “gozar” a “terceira idade”. Mas Deus lhe riscou seus planos, quando por morte repentina o “arrancou” de seus desejos terrenos.

Nós somos idosos. Todos já fizemos a amarga experiência que os “prazeres da vida” em sua maioria já se escoaram pelo “ralo da vida”. Será que vale para nós o conselho de Deus escrito pelo apóstolo: “Aproveitem bem o tempo”? – Vale, sim. Ele vale exatamente para nós, idosos. Por quê? Porque acontece muito, que tantos de nós gemem e lamentam, visto que, como acham, “o tempo” literalmente os mutilou ou os deixou aleijados. Dos “bons tempos” só lhes restam lembranças que não voltam, porém, se distanciam e apagam a cada dia que passa.

Contudo, é para cada cristão idoso que Deus diz no ouvido do coração: “Aproveite bem o tempo!” Que tempo? O tempo que o próprio Criador estabeleceu na criação do mundo. O tempo que ele governa, no qual ele faz as determinações e no qual ele nos colocou quando nos deu a vida e o ser. O “tempo que se cumpriu” quando Jesus nasceu, viveu, pregou e morreu no mundo. O tempo do amor de Deus aos pecadores, no qual ele deseja sua salvação e vida. O tempo em que o Espírito Santo nos renasceu, quando fomos batizados, e em que ele nos ensinou as Sagradas Letras que nos tornam sábios para a salvação pela fé em Jesus Cristo. O tempo sem tempo que perdura na vida no céu bendito.

Acaso, não diz o próprio Deus que “os dias em que vivemos são maus?” São maus, quando olhados pelo olhar da impiedade, que se lança nos prazeres que mergulham na perdição. São maus, quando nos ferem o corpo. E eles podem ser ainda piores, porque eles atentam contra a alegria de nossas almas que é a paz de Cristo, a paciência nas tribulações, e a esperança celeste.

Nós, cristãos idosos, aproveitamos bem o tempo que Deus nos concedeu, quando meditamos no evangelho de Cristo. Aproveitamos bem o tempo, quando visitamos conhecidos (até desconhecidos num lar) e com eles falamos das bênçãos do amor de Deus, e cantamos louvores ao “Doador de toda boa dádiva”.

Mas, e se nossas capacidades físicas e mentais só diminuem? Que proveito nos dá o tempo? Lutero nos responde e nos encoraja, quando canta: “Se vierem roubar os bens, vida e o lar – que tudo se vá! Proveito não lhes dá. O céu é nossa herança” (HL 165.4). Por isso, cada um de nós, idosos, pode cantar e orar diariamente: “Mais perto quero estar, meu Deus, de ti. Mesmo que seja a dor que me una a ti, sempre hei de suplicar: Mais perto quero estar, meu Deus de ti!” (HL 422.1).

Querido leitor do Mensageiro Luterano, é para você e eu que Deus diz:

“APROVEITE BEM O TEMPO”!

É para cada cristão idoso que Deus diz: “Aproveite bem o tempo!” Que tempo? O tempo que o próprio Criador estabeleceu na criação do mundo. O tempo que ele governa, no qual ele faz as determinações e no qual ele nos colocou quando nos deu a vida e o ser. O “tempo que se cumpriu” quando Jesus nasceu, viveu, pregou e morreu no mundo. O tempo do amor de Deus aos pecadores, no qual ele deseja sua salvação e vida.

Eugenio Dauernheimer

Pastor Emérito

Canoas, RS

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