Artur Charczuk
pastor e psicanalista
[email protected]
A data de 2 de abril celebra o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. De fato, com o número exponencial de diagnósticos, a realidade do autismo vem se tornando um objeto de conhecimento e pesquisa em boa parte do mundo. No Brasil, está ocorrendo uma produção científica a partir da investigação de tratamentos, intervenções, genética, utilização de fármacos, diagnósticos, família e educação. Sendo assim, é importante pontuar: o assunto autismo está presente nas mais variadas representações sociais, isto é, desde uma roda de conversa até em representações mais complexas. Com isso, além do assunto já estar presente em várias esferas, é preciso dar mais um passo: que a temática ganhe cada vez mais sentido na ordem social estabelecida. Em outras palavras, é tornar o assunto progressivamente familiar e que norteie posicionamentos que visem à promoção e à propagação de informações que estimulem o entendimento, com o intuito de combater o preconceito.
A título de conhecimento geral, autismo, originalmente do grego, significa “por si mesmo”. É uma palavra utilizada dentro da psiquiatria, com o objetivo de denominar comportamentos que se centralizam em si mesmos, ou seja, voltados para o próprio sujeito. O termo foi empregado pela primeira vez pelo psiquiatra suíço Eugene Bleuler, no ano de 1911. O primeiro diagnóstico conhecido de autismo ocorreu no início do século 20, em 1943, pelo psiquiatra austríaco Leo Kanner. Na época atual, o autismo é definido como Transtorno do Espectro Autista (TEA), sendo um transtorno de neurodesenvolvimento, com causas variadas, cujas principais características se mostram em comprometimentos e alterações na comunicação, no comportamento ou na socialização. Apresenta-se ainda na primeira infância e permanece ao longo da vida da pessoa.
E quando o diagnóstico de autismo transita em nossas igrejas?
O autismo na igreja
A igreja também possui uma grande responsabilidade acerca da adequação do conhecimento sobre o autismo à sua realidade. Antes de mais nada, conviver com uma pessoa autista é cuidar de uma vida humana, é ser igreja, visto que todo ser humano é importante para o Criador.
A igreja que abre seus braços sem distinção, que cuida, anuncia o amor sem limites de Deus, comunica a Jesus Cristo. “E disse-lhes: Vão por todo o mundo e preguem o evangelho a toda a criatura” (Mc 16.15). A Sagrada Escritura mostra que todo ser humano necessita ter acesso à salvação em Jesus Cristo, afinal, todos nós somos pecadores.
A igreja no autismo
No término deste artigo, gostaria de apenas trazer algumas sugestões para a igreja adentrar no universo autista, assim dizendo, a igreja no autismo: disponibilizar abafadores de sons; ter uma equipe entendida a respeito do assunto e preparada para acolher, uma vez que a pessoa com autismo necessita de uma rotina para se sentir segura; que a congregação desenvolva uma consciência inclusiva e respeitosa; que a família do autista tenha um atendimento pastoral frequente; entre outras. Que o rosto de Cristo fulgure em nossos irmãos e irmãs autistas.
Acesse aqui a versão impressa.