Polarizar é tão humano

Enquanto que a polarização reparte relações e famílias, a mensagem de Cristo une, salva e oferece o que nenhuma invenção humana pode oferecer: vida com Deus

Artur Charczuk
pastor e psicanalista

Sim, polarizar é um tanto humano. A polarização é como as teias de experiências confeccionadas pelas histórias das vidas humanas. Polarizar é dar voz para tudo aquilo que está dentro do ser humano. Quando o sujeito polariza, ele procura por sentidos: decepções, vivências não bem absorvidas, frustrações com terceiros e assim por diante. Já nessas primeiras linhas, quero mostrar para o leitor o quanto de humanidade há na polarização.

Assim, olhar para a polarização é perceber o quanto de angústias e incertezas existem no ser humano. E tudo isso pressiona o indivíduo, fazendo com que o aparelho psíquico procure algum meio para aliviar tal pressão, isto é, o ser humano busca por narrativas que possam oferecer algum suporte, algum recurso psíquico, para dar vazão ao que ele tem medo. De acordo com os eventos e suas narrativas, sejam econômicas, políticas ou sociais, a polarização é como um grito que ecoa das funduras humanas, experiências malsucedidas que clamam por sentido e alívio.

A grande questão é quando determinados sentimentos humanos são devolvidos para o mundo a partir dos receptáculos do ódio, do destrutivo, da vingança etc., minando pessoas e mundo como espaços de deterioração. É como se no outro não houvesse mais nada de humano, legitimando determinadas práticas.

O que hoje vemos são literalmente rachaduras ideológicas que atingem famílias, casais, ambientes de trabalho, amizades de longa data. O cenário da polarização está instalado no cotidiano; as redes sociais, com sua velocidade instantânea, criam solos férteis de confrontos e liquidez nos relacionamentos. Por consequência, a web acaba se tornando uma espécie de Coliseu virtual, onde ambivalências são normalizadas e a frustração vira acusação. Efetivamente, a polarização é como um jogo de espelhos, onde cada indivíduo procura negar suas complexidades, projetando no outro suas deficiências. É um recurso da estrutura psíquica, trazendo alívio para o que angustia, para o que pesa. Traços da humanidade, sim, polarizar é tão humano.

E EU OS ALIVIAREI

“Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei” (Mt 11.28). Crer no senhor Jesus é a certeza de que o ser humano é perdoado. A realidade humana é permeada de angústia e terror, consequência do pecado. Assim sendo, o descanso e o alívio não estão nas criações humanas, em suas narrativas e polarizações. Jesus chama o ser humano para o alívio a partir do Evangelho. Eis o genuíno caminho do cristão: fé no Filho de Deus, nosso suficiente Salvador. Enquanto que a polarização reparte relações e famílias, a mensagem de Cristo une, salva e oferece o que nenhuma invenção humana pode oferecer: vida com Deus. O mundo tão humano pesa, entretanto, Jesus vem ao nosso encontro para afirmar: “E eu os aliviarei”.

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