Quando o trabalho se torna um fardo

Se você se reconhece nessa estatística, não afunde em seu próprio sofrimento. Procure ajuda especializada. Fale. Procure um psicólogo de sua confiança. Leia a Palavra. Ore. Converse com seu pastor. Lembre-se de Isaías 40.29-31: “Aos cansados ele dá novas forças e enche de energia os fracos. Até os jovens se cansam, e os moços tropeçam e caem; mas os que confiam no SENHOR recebem sempre novas forças”

O ano de 2025 foi de um triste recorde para o Brasil. Mais de 546 mil brasileiros pediram afastamento do trabalho. O motivo não foi uma forte gripe, uma cirurgia ou um dia de cama. E, sim, transtornos mentais. Estes são dados oficiais do Ministério da Previdência Social. No ranking nacional dos afastamentos do trabalho, crises de depressão e ansiedade ficam atrás apenas de problemas na coluna.

           Com a proximidade de mais um 1° de maio, Dia Internacional do Trabalhador, cabe uma reflexão sobre uma sociedade onde o cansaço nem sempre é físico, braçal. E, sim, mental. Seja por conviver há tempos com transtornos mentais. Seja por trabalhar em um ambiente emocional tóxico, com jornadas excessivas, pressão por resultados e metas, permissividade de abusos psicológicos.

           Existem dois termos que refletem essa realidade. Ambos, da língua inglesa. A expressão grumpy staying pode ser entendida como ficar de mau humor, estar sempre resmungando. Nessa situação, por questões financeiras, o trabalhador não pode pedir demissão ou trocar de emprego. E aquilo que seria satisfatório e digno, torna-se um fardo a cada novo dia. Algo parecido com isso é a expressão quiet quitting, uma demissão silenciosa. Diante de um ambiente de trabalho tóxico para a saúde mental, assume-se a postura do mínimo possível. Zero engajamento. Sem comprometimento. Apenas o desejo de permanecer invisível no ambiente de trabalho.

           É incrível como, até no ambiente de trabalho, a criação do SENHOR geme.  O trabalho que era para ser prazeroso, lá no Éden, como cuidadores do jardim, também foi manchado. “Ervas e espinhos” (Gn 3.18) na saúde mental têm trazido sofrimento a mais de meio milhão de trabalhadores brasileiros. Claro que, em um país de tamanho continental, com mais de 213 milhões, os dados trazidos pelo Ministério da Previdência Social se diluem na multidão. Porém, quando esses dados não são estatísticos, mas uma realidade na família, o pequeno mundo de um lar entra em sofrimento.

            Se você se reconhece nessa estatística, não afunde em seu próprio sofrimento. Procure ajuda especializada. Fale. Procure um psicólogo de sua confiança. Leia a Palavra. Ore. Converse com seu pastor. Lembre-se de Isaías 40.29-31: “Aos cansados ele dá novas forças e enche de energia os fracos. Até os jovens se cansam, e os moços tropeçam e caem; mas os que confiam no SENHOR recebem sempre novas forças”. Com essa força, peça sabedoria para a melhor decisão no seu ambiente de trabalho.

            Agora, se você está plenamente realizado na sua vocação e está fora dessa preocupante estatística, viva o que Jesus disse: “a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu” (Mt 5.16). Olhe para o lado. Não veja colegas de trabalho como apenas mais um. Quem sabe ali haja alguém que está afundando dentro de si mesmo. Uma boa conversa pode ser a porta de entrada para mergulhar para dentro dessa dor alheia e levar até lá o Cristo que nos redimiu com o seu perdão.

            Nossa vocação, mesmo em meio aos males de uma criação caída, é bênção de Deus. O trabalho dignifica o ser humano. E se o sair de casa para enfrentar essa jornada tem se tornado uma tortura, é hora de pedir ajuda.

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