Rev. Fernando Ellwanger Garske
Adaptado do texto de Isolde Franck (história da Coroa) e do texto do Rev. Horst Siegfried Musskopf (significado das velas)
LEITOR 1: Em 1832, na cidade de Hamburgo, na Alemanha, as máquinas estavam substituindo os trabalhadores. Muitas pessoas perderam o emprego e ficaram na pobreza.
LEITOR 2: Nessa mesma época, famílias do campo estavam migrando para a cidade, que não estava preparada para recebê-las. Não havia água, esgoto, ruas ou escolas.
LEITOR 1: A situação era muito difícil. O desespero, o alcoolismo e os crimes estavam aumentando. Cerca de 200 crianças estavam presas no presídio juvenil.
LEITOR 2: Na comunidade de São Jorge, João Henrique Wichern e sua esposa dirigiam uma pequena escola dominical. Eles estavam preocupados porque as crianças só aprendiam sobre Jesus e a vida cristã uma vez por semana.
LEITOR 1: Em casa, essas crianças enfrentavam a falta de coisas básicas e problemas graves como alcoolismo, roubos, prostituição e crimes. Isso aumentava o risco de elas se tornarem criminosas.
LEITOR 2: Por isso, João Henrique e sua esposa pensavam em criar uma instituição para ajudar as crianças e os jovens a terem uma vida feliz.
LEITOR 1: Wichern foi atrás do seu objetivo, conversou com os líderes da cidade e conseguiu um terreno com uma casa velha, chamada “Rauhes Haus”, e algum dinheiro para começar seu projeto.
LEITOR 2: Em outubro de 1833, ele abriu a casa e, até o final do ano, já estava cuidando de 14 jovens considerados problemáticos. Ele ensinava o evangelho e queria que os jovens soubessem que Cristo estava com eles. Seu método era tratá-los com amor e mantê-los ocupados.
LEITOR 1: Com a ajuda dos jovens, Wichern construiu uma oficina para ensinar várias profissões e uma escola para meninas. Ele e sua esposa queriam que a casa fosse como uma grande família.
LEITOR 2: Certa vez um dos rapazes, que era conhecido por fugir dos lugares onde era internado, escapou e sumiu. O próprio Wichern foi procurá-lo. Quando foi descoberto, o garoto ficou apavorado pois estava em uma boate e certamente seria punido com rigor.
LEITOR 1: Mas Wichern o levou a uma padaria e perguntou o que ele gostaria de comer. Com muito carinho o recebeu de volta em casa. O rapaz nunca mais fugiu.
LEITOR 2: Conta-se que quando se aproximava a época de Natal, as crianças e os jovens se enchiam de expectativa. Wichern e sua esposa celebravam o Natal com muita alegria, pois entendiam que a Luz do mundo havia nascido como uma criança para ser o Salvador do mundo.
LEITOR 1: Quando o dia raiava, as crianças lhe perguntavam se já era o dia de Natal. Ele com muita paciência dizia que ainda estavam no Advento e que faltavam alguns dias.
LEITOR 2: No dia seguinte, por causa da expectativa, a pergunta era repetida.
LEITOR 1: E isso acontecia muitas vezes.
LEITOR 2: E muitas vezes.
LEITOR 1: Wichern teve uma grande ideia. Queria mostrar para as crianças que Jesus nasceu no Natal, a Luz do Mundo, “a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina toda a humanidade” (Jo 1.9). Por isso adquiriu 24 pequenas velas vermelhas e 4 velas brancas maiores.
LEITOR 2: Explicou para as crianças que a cada dia acenderiam uma vela, as pequenas nos dias de semana e as grandes nos domingos. A luz ficaria cada vez mais intensa. Quando todas as velas fossem acesas, seria o Natal.
LEITOR 1: Isso foi tão significativo que virou uma tradição nas comunidades da região e logo se espalhou. A maioria das comunidades, no entanto, usava apenas as quatro velas maiores, representando os quatro domingos no Advento.
LEITOR 2: Com o passar do tempo, cada elemento da Coroa ganhou um significado e até hoje ela está presente em nossas casas e igrejas.
A PRIMEIRA VELA
LEITOR 1: A primeira vela é a vela da Profecia. O Salvador prometido por Deus foi esperado por milênios.
LEITOR 2: Profetas falavam da sua vinda e animavam o povo a confiar e ter esperança nas promessas de Deus.
LEITOR 1: Hoje vivemos em uma sociedade imediatista, que não gosta de esperar. Queremos resultados rápidos e conforme a nossa vontade.
LEITOR 2: Deus desafia esse jeito de ser. A fé cristã nos fala de uma vida que é uma caminhada de esperança. Como cristãos, esperamos em Deus. E enquanto esperamos, confiamos que suas promessas não falharão.
LEITOR 1: O Natal nos ajuda nessa tarefa. O Salvador prometido veio no Natal. A espera foi longa, mas ele veio. Hoje, não vemos com os olhos, mas sabemos que ele vem pela pregação da Palavra e Sacramentos. E podemos ter certeza que como ele prometeu, certamente virá novamente, em glória, no dia do Juízo Final. Essa é a fé simbolizada na primeira vela do Advento.
A SEGUNDA VELA
LEITOR 2: A segunda vela é a vela de Belém. Ela nos lembra que o nascimento de Jesus não foi um acaso. Deus preparou tudo em cada detalhe.
LEITOR 1: Nosso mundo e tão corrido e temos tantas atividades e distrações que corremos o risco de viver apenas por viver, deixando a vida nos levar.
LEITOR 2: Quando acendemos a vela de Belém ouvimos João Batista nos dizer: Preparem o caminho do Senhor! A vinda do Rei requer preparação! Arrependam-se dos seus pecados e creiam no Salvador, que Deus salvará você.
LEITOR 1: Também em nossa vida o Natal não deve ser algo corriqueiro, que vivenciamos sem prestar a atenção. O Advento nos convida à reflexão, ao pedido de perdão, a voltar para o caminho certo. E enquanto nos alerta para isso, João Batista também aponta para Jesus dizendo: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
LEITOR 2: A chama da segunda vela nos traz paz quando lembramos que Jesus veio, vem e virá como nosso Salvador!
A TERCEIRA VELA
LEITOR 1: A terceira vela é a vela dos Pastores. Quando Jesus nasceu, eles estavam nos campos cuidando do rebanho e foram os primeiros a receber a boa notícia do nascimento do Salvador.
LEITOR 2:Na nossa vida, muitas vezes acontecem coisas que roubam a nossa alegria. E mesmo nessa época festiva lembramos de mágoas, de pessoas que já partiram, de coisas que não conseguimos realizar e a tristeza vem.
LEITOR 1: No entanto, a notícia de que Deus se tornou um ser humano, para nos salvar, traz uma alegria eterna. Saber que Deus nos ama dessa maneira, consola nosso coração e nos inspira a vivermos em paz.
LEITOR 2: Quando acendemos a vela dos Pastores somos lembrados que apesar das dificuldades da vida, temos um Deus que é nosso Pai, que cuida de nós e que tudo fez para nossa salvação.
LEITOR 1: Por isso celebramos o Natal expressando essa alegria nos enfeites, nas felicitações e nas reuniões familiares. Por isso estamos aqui neste momento, para louvar aquele que é a razão da nossa alegria!
A QUARTA VELA
LEITOR 2: A quarta vela é a vela dos Anjos. Anjos são os mensageiros que trazem a boa notícia da parte de Deus.
LEITOR 1: Se abrirmos o jornal ou ligarmos a televisão seremos bombardeados de más notícias: violência, corrupção, desastres. No entanto, a mensagem dos anjos é uma Boa Nova de grande alegria, para todas as pessoas.
LEITOR 2: A chama da quarta vela nos lembra que a mensagem do Natal não deve ficar escondida, mas precisa ser anunciada e compartilhada com todas as pessoas e a todos os povos!
LEITOR 1: Que cada um de nós seja um portador da boa notícia do Evangelho e que nossa boca anuncie que já nasceu o Salvador!
JESUS NASCEU – A VELA DO NATAL
PASTOR – A quinta vela da coroa de advento não existia no início. Foram os irlandeses que acrescentaram uma vela branca, no centro da coroa, para simbolizar a chegada do Natal.
A vela do Natal nos lembra que a espera acabou. O dia chegou! Jesus nasceu e este é um dia de paz e alegria.
Enquanto celebramos o Jesus que veio no Natal e que vem na Palavra e nos Sacramentos, ainda aguardamos o Jesus que virá! A vela é branca porque ainda resta uma espera. Uma esperança. Chegará o dia em que iremos celebrar o Natal no reino do céu, ao lado do próprio Jesus.
É nessa esperança que vivemos e celebramos mais um Natal!
Algumas imagens criadas por inteligência artificial que podem ajudar a ilustrar o momento:













