Apontando os desapontados

Em 2021, quando meus filhos já estavam dormindo, abri a mochila do Rafael, revisei o estojo dele e vi que os seus lápis estavam quase todos desapontados. O apontador dele não estava funcionando direito. Encontrei outro apontador e passei a apontar um por um, lápis a lápis.

Desde que sou mãe, tenho buscado fazer atividades legais para os meninos, aproveitar bem o tempo com eles e, por vezes, até me perco na internet em busca de como educá-los da melhor forma. São tantas opções que nos enchem os olhos, e, nem sempre, conseguimos executá-las do jeito e na quantidade que gostaríamos. Por vezes, até desapontamos nossos filhos propondo atividades complexas demais.

Em 2021, quando meus filhos já estavam dormindo, abri a mochila do Rafael, revisei o estojo dele e vi que os seus lápis estavam quase todos desapontados. O apontador dele não estava funcionando direito. Encontrei outro apontador e passei a apontar um por um, lápis a lápis.

Me dei conta de que os outros lápis de cor aqui de casa também não eram revisados há tempo. Reuni todos, e lá estavam, DESAPONTADÍSSIMOS. Me senti culpada, DESAPONTADA. Que mãe eu era? Sempre preocupada com meus filhos, sobre como educá-los melhor, entretê-los com atividades mirabolantes, e não tinha feito algo tão básico: apontar os lápis deles. Cheguei a pensar que não teria mais moral para cantar a música preferida dos meninos da hora de dormir, que também é uma das minhas preferidas: AQUARELA. Sem as pontas, nada de sol amarelo, nem seria fácil fazer um castelo, não teria como correr o lápis em torno da mão para se dar uma luva…

Mas não deixei o desapontamento tomar conta, pelo contrário, fiquei ainda mais motivada a agir, girar e girar. Quando acabei, arrumei os lápis em uma latinha amarela, deixei algumas folhas preparadas no móvel da sala de brinquedos e, em frente, coloquei uma cadeira azul. Um cantinho simples, colorido e pronto para ser explorado. Na manhã seguinte, fiquei até emocionada. Ao chegarem na sala, meus filhos logo perceberam algo diferente. Sem ninguém dizer nada, o Teodoro se sentou na cadeira azul, pegou os lápis e começou a dar vida e cor à sua imaginação. O Rafael também coloriu no papel, ao seu lado, em pé. Meus olhos se encheram de cor e contentamento. Ao vivo e a cores, diante dos meus olhos comprovei: não precisamos complicar, rebuscar, mas sim, lembrar de fazer o básico, dar pontas para a imaginação das crianças. Depois disso, compramos um apontador novo para o Rafael levar à escola e estamos sempre apontando e reapontando os lápis de casa.

Tem dias em que parecemos lápis de cor dentro do estojo, desapontados. Cada um com seu potencial criativo, com seu colorido ali escondido, alguns até lascados, quebrados, parados à espera de uma oportunidade para mostrar nossa cor, deixar nossa marca. Felizes são os lápis que encontram mãos amigas, cuidadosas ao longo dessa estrada, onde não nos cabe conhecer ou ver o que virá. Alguém que nos aponte e nos ajude a dar a volta por cima, a passar pelo muro, onde, ali, logo em frente, a esperar pela gente, está o futuro. Futuro esse que, sem pedir licença, muda a nossa vida e depois convida a rir ou chorar.

Como é bom saber que, desde sempre e para sempre tem alguém que permanece igual, que nos segura com firmeza, amor e que diz: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados [desapontados], e eu os aliviarei [apontarei]” (Mt 11.28).

Jesus nos aponta, molda e prepara para vivermos nesta vida, e aponta para o alto para vermos o colorido da vida eterna. Como é bom ter a certeza de que, com ele, nossa aquarela nunca descolorirá…

*Assista a essa mensagem, em vídeo, no canal Youtube.com/AlineKoller

Comentários

  1. Que lindo texto, linda reflexão, querida Aline. Parabéns pelo insight dos lápis e pelo cuidado com teus pequenos. Pode ter certeza que pra mim foi inspirador e darei uma conferida também nos lápis do meu menino a partir do teu texto. Grande beijo e muitas bênçãos!

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