Lilian Flor
Psicóloga
A criação dos filhos é um assunto sério, que afeta não só o bem-estar das crianças, mas de toda a família e comunidade, principalmente quando a criança possui necessidades especiais. O ponto crucial é identificar o problema: o comportamento diferente do meu filho indica algum transtorno mental ou trata-se apenas de impor limites? O diagnóstico é importante, porque a desinformação poderá comprometer o prognóstico.
Quando nos referimos ao TEA (Transtorno do Espectro Autista), falamos sobre o quadro clínico neurodesenvolvimental, que produz sintomas diversos e em diferentes níveis de dificuldade. As causas do TEA não foram ainda completamente estabelecidas pela ciência, mas estudos apontam para fatores genéticos.
O TEA afeta basicamente duas áreas cognitivas: a da comunicação (e interações sociais) e a do comportamento, induzindo a movimentos restritos e repetitivos. Em geral, crianças com TEA fazem contato visual de forma atípica, preferem brincar sozinhas e têm dificuldade para interpretar as expressões emocionais de outras pessoas, o que pode gerar estresses interpessoais.
A avaliação clínica precoce é fundamental, porque propicia o início do tratamento medicamentoso e/ou psicológico, importantes para reduzir comportamentos ritualísticos, eventual agressividade e desenvolver habilidades pessoais.
É interessante notar que a Palavra de Deus traz alguns ensinamentos sobre a interação com o próximo, que parecem dirigidas diretamente aos cuidadores de crianças com autismo: acolher de forma segura e carinhosa (Jo 10.3-4), ser paciente (1Co 13.7), estimular o amor e o respeito ao próximo (Jo 15.12, 1Co 13.4-5), proporcionar inclusão (Mt 19.14), respeitar as características de cada um (1Co 12.4-11), escutar com atenção e empatia (Jo 11.33), admoestar sem julgar (Jo 8.10-11).
Podemos salientar algumas dicas de manejo aos cuidadores:
- Falar olhando nos olhos da criança com atenção e paciência, observando, conhecendo e decifrando seus desejos e necessidades;
- Adaptar o ambiente à criança e procurar adaptar a criança aos ambientes que não podem ser modificados;
- Respeitar o ritmo, os limites pessoais da criança e as suas maneiras de manejar as atividades cotidianas;
- Supervisionar as interações sociais da criança até que ela aprenda a se relacionar com mais facilidade;
- Acompanhar a educação escolar com maior atenção, para que a criança não desanime diante de dificuldades;
- Estimular o comportamento esperado, celebrando suas conquistas;
- Compreender que a criança precisa de rotina e de uma comunicação de regras em linguagem objetiva;
- Ajudar a criança a se conhecer e a se amar como é.
Ter uma criança com necessidades especiais em casa pode ser difícil, mas também pode ser uma oportunidade ímpar de desenvolver as próprias habilidades enquanto pais e seres humanos: paciência, empatia, sabedoria e habilidade para resolver problemas, entre outras.
Em especial, o cristão tem instrumentos maravilhosos para ajudá-lo nos seus desafios: o modelo de Jesus Cristo, a sabedoria da Palavra de Deus e a certeza de que, se entregarmos a Deus as nossas preocupações, ele cuidará de nós.