Deixamos de usar máscaras, mas ainda somos máscaras

As pessoas que são a igreja de Jesus têm a marca divina do santo batismo recebido em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Chamadas por Cristo, são por ele reunidas em comunhão – a igreja – o corpo de Cristo (1Co 12.20). Como corpo, a igreja é um organismo vivo que atua em louvor e para a glória de Deus, acolhendo pessoas por meio do testemunho, da pregação e do ensino da Palavra, e sendo instrumentos e meios pelos quais Deus cuida e abençoa a sua criação. O cristão tem um lugar especial na criação de Deus e na sua obra para a preservação de tudo o que Deus criou. O Deus Todo-Poderoso, em seu amor, escolheu criar o ser humano e tudo o que existe, e permanece envolvido na manutenção, preservação e provisão da sua criação.

O cristão e toda a criação gemem e suportam angústias (Rm 8.22,23). Nos últimos anos, vivemos tempos de medo e incertezas e nos acostumamos a usar um equipamento de proteção, antes comum apenas nos hospitais e laboratórios: a máscara. A finalidade era proteger a vida da exposição ao vírus que se espalhava de forma devastadora. Pela graça de Deus, estamos aqui, e tivemos aprendizados e perdas naquele tempo difícil. Hoje já deixamos de usar as máscaras, mas ainda somos máscaras de Deus.

A expressão somos máscaras de Deus é usada na teologia luterana para demonstrar que Deus mostra a sua presença por meio dos cristãos, assim como também desafia a atuação dos cristãos em ações de acolhimento, amor e desenvolvimento humano. Essa forma de entender as máscaras tem base em Mateus 25.35-40, que culmina com a fala de Jesus, que diz: “sempre que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, foi a mim que o fizeram”.

Deus lida com toda a sua criação. Sua ação tem a ver com cristãos e não cristãos. Deus se mostra atuando na sua criação por meio do governo, da família, do pai e da mãe (as vocações), que servem como instrumentos para governar e preservar a criação. Todo o bem que é feito por alguém, não é de fato uma obra da pessoa, mas de Deus por meio da pessoa.

Há situações e pessoas que ficam à margem do sistema social, mas não ficam fora do plano de Deus. A nós, fica o desafio de aprender didáticas, técnicas e metodologias de desenvolvimento social e humano, por meio das quais a motivação e a capacidade de amar que provém da fé em Jesus poderão atuar em favor de um cuidado do ser humano.
Ser máscaras de Deus na ação social é semelhante a ser pai ou mãe zelosos e cuidadores sobre pessoas além do vínculo familiar, por causa da vontade que Deus coloca no coração para expressar amor por meio de ações, providenciando as bênçãos que Deus dá por meio do trabalho de cada um ou por meio de trabalho de outros, devido a uma dependência econômica, física ou emocional a ser suprida. Ser máscara de Deus pode ser estender a mão, outras vezes carregar no colo, mas quase sempre andar junto.

Como máscara de Deus, a igreja trabalha para ser a mão, o canal, o meio e o instrumento para transmitir o evangelho da salvação e praticar ações de amor, acolhimento e desenvolvimento humano. O serviço de Deus no culto envia cada cristão a ações para compartilhar bênçãos espirituais e materiais para cuidar do ser humano que sofre com a falta de alimentos, a falta de acesso a materiais básicos para a vida e a falta da comunhão com Jesus Cristo. Esse trabalho, os cristãos e a igreja realizam como máscaras da presença de Deus, onde Deus colocou a cada um.

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