Artur Charczuk
pastor e psicanalista
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A história da humanidade não é construída apenas por fatos concretos, mas principalmente pelas perguntas que fazemos antes que eles aconteçam. Entre todas as provocações que a mente humana é capaz de formular, nenhuma possui tanta força transformadora quanto a expressão “e se”. Esse pequeno exercício de suposição é o motor invisível por trás das maiores descobertas científicas, dos acontecimentos sociais, das obras de arte inesquecíveis e das viradas mais profundas na vida do ser humano. Quando nos permitimos formular cenários hipotéticos, rompemos temporariamente com as amarras da realidade imediata. A ciência avança exatamente assim: um pesquisador olha para uma regra tida como absoluta e questiona o que aconteceria se as variáveis fossem alteradas. Na literatura e no cinema, esse gatilho cria universos inteiros, transportando o público para realidades alternativas que nos fazem refletir sobre o comportamento e a ética humana.
No âmbito individual, o “e se” funciona como uma faca de dois gumes. Ele pode se transformar em uma fonte de ansiedade paralisante quando focado no arrependimento do passado ou no medo do futuro. E se eu for demitido? E se todo mundo rir de mim? E se der tudo errado? O nosso corpo não sabe a diferença entre um perigo real e um perigo que a gente só criou na cabeça. Por causa disso, o coração acelera, o estresse aumenta e o sujeito acaba travando por causa de problemas que nem existem de verdade. É assim que a imaginação vira uma âncora que puxa o indivíduo para o fundo e não deixa ele sair do lugar. Contudo, quando utilizado de forma construtiva, torna-se a ferramenta ideal para o planejamento e para a empatia. Colocar-se no lugar do outro e imaginar dinâmicas sociais diferentes nos permite projetar um futuro melhor e tomar decisões mais conscientes. No fim das contas, todo mundo carrega uma mochila cheia de “e se” do passado. São escolhas que não foram feitas, caminhos não atravessados e palavras não ditas. Olhar para trás e ver essas possibilidades faz parte de ser humano. O erro é morar lá. Quando a pessoa aceita que o passado já foi escrito e que toda escolha que a gente faz exige abrir mão de outras coisas, essa mochila fica muito mais leve. O “e se” do passado deve servir apenas como uma escola, um espelho para olhar, aprender a lição com os tropeços e depois seguir viagem com mais sabedoria.
Portanto, o convite que fica é para não ter medo de fazer essa pergunta no dia a dia. Que a gente use o “e se” para criar pontes de carinho com quem pensa diferente da gente. Que ele seja usado para desenhar planos e metas que nos deem vontade de continuar. Que o “e se” seja usado para mudar as realidades – e mudar para melhor.
Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida
Mateus 6.25 traz uma reflexão sobre o ser humano e sua constante preocupação com o “e se”. Muitas vezes, nos desgastamos tanto com os pensamentos – isto é, e se tivesse sido assim? ou dessa forma? –, tornando o existir uma constante angústia. Fica uma preocupação paralisante, uma apreensão perante o futuro. Com isso, ao invés de carregar a mochila abarrotada de “e se”, confie no Senhor Jesus Cristo. Pense assim: “Que maravilha! Jesus Cristo me trouxe até aqui”. Em cada “e se”, coloque o amor misericordioso de Jesus Cristo. Poderia ter sido assim ou daquela forma? Não, Jesus me trouxe até aqui com seu amor e perdão. Não fique no passado, fique com Jesus, por meio da fé.


