Final de ano e o início da melancolia

Artur Charczuk
pastor e psicanalista
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Eis que o final de ano já está aí! Muita gente comenta: “Nossa! Como o ano passou rápido. Já estamos em dezembro” e assim por diante.

Com a celeridade do tempo e das coisas, algo acontece no emocional das pessoas, isto é, o famoso balanço pessoal. As pessoas procuram refletir no que conseguiram ou não fazer ao longo do ano. O final de ano traz um início um tanto dolorido para muitas pessoas: melancolia. É como uma tristeza que devasta, que esvazia o sujeito.

O balanço pessoal desengaveta sentimentos dos mais variados, conforme o que a pessoa for rememorando: relações de trabalho difíceis, sobrecargas familiares, prazos não vencidos, metas não alcançadas, frustrações, incompreensões e assim por diante. E tudo isso é lembrado ao mesmo tempo, ou seja, a pessoa pode estar acompanhando os festejos e comemorações, mas a mente está aflita e mergulhada naquilo que passou. O presente se torna apenas uma frágil tela em movimento, com pouco sentido para quem está acompanhando, dado que o peso do pretérito retira o colorido do agora.

A pessoa fica melancólica, com uma tristeza devastadora. Ela possui a nítida sensação de que o ano andou, mas os seus projetos e desejos não o acompanharam. É um sentimento de impotência perante o andar frio do tempo – um tempo que não para, não espera. E isso leva a pessoa a sentir os mais variados sentimentos: ansiedade, angústia, tristeza, culpa e, se não houver um cuidado, pode enfrentar uma depressão. Sim, a melancolia dá uma sensação de um total despertencimento do tempo presente, pois ela está absorvida pelo passado.

É necessário que a pessoa não encare o final de ano como uma espécie de encerramento, como se não houvesse mais nada para fazer. O importante é tirar algum ensino com aquilo que não foi realizado, perceber o que aconteceu e novamente tentar. Encontrar uma rede de apoio, seja na família, com os amigos, na congregação, com o pastor e outros. Ser tolerante consigo mesmo, que é um ser humano propenso a acertar e errar.

Não deixe de compartilhar a pressão, a melancolia que está presente em seu coração. Falar é um valioso ato de alívio – a comunicação cura. A fala dá a oportunidade de o outro ajudar a carregar o sofrimento. Portanto, não guarde para si. A melancolia pode até começar silenciosa, como um monólogo, mas o final dela pode ser diferente, por meio de um curativo diálogo.

PERTO ESTÁ O SENHOR

“Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado; ele salva os de espírito oprimido” (Sl 34.18). Bem sabemos que não estamos protegidos diante de perdas, decepções neste mundo. Os desafios são parte dessa realidade. No entanto, o Salmo 34 traz para o cristão o conforto necessário: “Perto está o SENHOR […]”. Um Deus que salva, ampara, cuida dos seus, assim sendo, quando os problemas, os projetos que não deram certo, quererem inundar os seus pensamentos, não esqueça: “Perto está o SENHOR […]”. Perto está Jesus Cristo, nosso Deus e suficiente Salvador. Agradeça pelos momentos passados – de repente nem todos foram bons, mas Jesus esteve em todos, não se afastou nem por um minuto de você. Ele te deu sustento e cuidado em cada circunstância.

Também dialogue com o Filho de Deus, ore e apresente para ele as tristezas e o mais ele o fará. Ore em casa, nos cultos, simplesmente deposite toda a confiança em nosso suficiente Salvador. Se o abatimento quiser aparecer, lembre: “Perto está o SENHOR […]”. Perto está Jesus Cristo.

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