O Criador na alvorada do novo ano

Deus me dá o sentido dos meus atos. A vida divina é ativa, a abundância é sem limites, a vida se renova sempre. A vida está em Deus, a vida vem de Deus sem se distanciar dele. Vida é a relação entre Deus e o mundo

(Leia o Salmo 127)

          Proclamar o Criador é confessá-lo. A confissão enraíza em formulações feitas na aurora do cristianismo. O primeiro credo procede de pessoas ameaçadas, perseguidas, martirizadas. A concepção sobre o universo mudou muito de lá para cá. As imagens que os telescópios nos transmitem está muito distante dos rudimentos que andavam na cabeça dos mais atentos observadores. A superfície plana contornada pelo rio Oceano se arredondou, o céu estrelado subiu a trilhões de corpos estelares só em nossa galáxia, uma entre bilhões de outras.

Moisés levanta os olhos ao céu estrelado, além do visível alarga-se o invisível. No invisível soa uma voz que ilumina tudo. Isso aconteceu no princípio. O movimento é do invisível ao visível, “a Deus ninguém viu…” O movimento acontece do invisível ao visível, da escuridão à luz. A palavra rompe o silêncio. A Palavra (Logos) cria e recolhe. O não ser nega o ser, depende do ser, está subordinado ao ser.

O que persiste é o reconhecimento da minha relação pessoal com o Criador.  A luz que vem do Criador é mais do que os raios que procedem do sol para despertar a vida na terra. O Criador decide criar sem estar sujeito a nenhuma obrigação. O criador se revela na criatura, assim como o artista se revela na obra de arte. Vejo o artista na obra de arte, não vejo o artista sem a obra. O visível nos cerca. O invisível fundamenta o visível.  Invisível é o Pai, visível é o Filho. Estou na situação do Jó interrogado pelo Criador. Onde estava você? –  Pergunta a voz que vem da tempestade. O que vejo em telas luminosas me deixa muito menor.

Construímos casas e cidades. Hoje a população urbana supera a população rural.  A cidade nos ensina que todos vivemos conectados; dependemos de outros e outros dependem de nós. No momento que saímos de cena, outros tomam o nosso lugar. As teorias que buscam explicar nosso modo de criar ficam aquém do que desejamos saber. Somos mistério para nós mesmos.

Davi declara que se Deus não constrói a casa, trabalham em vão os construtores (Sl 127). Se confesso o Deus Criador, expresso o que Deus opera em mim. Deus criou e continua a criar. Construo porque sou imagem de Deus. Deus me dá o sentido dos meus atos. A vida divina é ativa, a abundância é sem limites, a vida se renova sempre. A vida está em Deus, a vida vem de Deus sem se distanciar dele. Vida é a relação entre Deus e o mundo. Na vida sentimos a presença de Deus. Deus não cria de outra fonte, Deus cria contra o nada, contra a morte.

Não posso ignorar outros construtores mais ou menos bem sucedidos do que eu. Devo contribuir para que todos estejam abrigados. Do contrário não tem sentido o que faço, ainda que levante de madrugada. Deus vela pela minha preservação enquanto estou dormindo. Trabalho para o bem de todos mesmo que eles não o sintam. Se amparamos uns aos outros, o trabalho deixa de ser penoso, podemos sentir as delícias do repouso.

O ano novo abre novo ciclo de realizações. Cristo trabalhava enquanto adversários o torturavam, garantiu abrigo ao crucificado que lhe rogava atenção. O Redentor trabalha na dor, alivia a dor, aponta vida além da dor.

O Criador fala comigo na tempestade, na brisa da tarde, na noite suave. Conversa de Criador a criador, discutimos projetos, avaliamos resultados, conversa sem hora de começar e de terminar.

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