Acolhimento e solidariedade aquecem o povo gaúcho

Com a chegada das baixas temperaturas, vítimas da enchente recebem ajuda de todo o país

Há um mês da tragédia climática que assolou o Rio Grande do Sul, o povo gaúcho segue na luta para se recuperar. Os desafios são muitos: além da chuva constante, que impede os trabalhos de recuperação e limpeza de casas e estradas, o frio chegou com tudo no estado. E muitas pessoas ainda permanecem fora de casa. Conforme o boletim da Defesa Civil do RS, divulgado na manhã do dia 29 de maio, são 581.638 desalojados e 47.651 pessoas ainda em abrigos. O desastre natural causou 169 mortes confirmadas no estado. Pelo menos 806 pessoas se feriram e outras 44 estão desaparecidas. São 471 dos 497 municípios atingidos.

No entanto, a chegada do frio traz também o apoio e o amor das pessoas que se mobilizam para auxiliar e atender às necessidades das vítimas. Veja abaixo como está a situação de algumas cidades afetadas e como os distritos têm atuado para ajudar e acolher às famílias.

Acesse aqui o site específico sobre a enchente e saiba como ajudar.

DISTRITO PORTO-ALEGRENSE (conselheiro pastor Horst Siegfried Musskopf)

A inundação antes nunca vista, que assolou a região metropolitana de Porto Alegre e cidades vizinhas dos vales dos rios dos Sinos, Gravataí e Jacuí, que desembocam no lago Guaíba, deixou milhares de pessoas desabrigadas trazendo destruição e perdas de todos os tipos.

Vidas, bens, moradias, saúde física e emocional se perderam… muita tristeza, dor, angústia e incertezas.

Mas tão forte e grande como o desalento que veio nessas enxurradas e inundações, vieram as demonstrações de ajuda, socorro, solidariedade, entrega do povo das cidades que não foram atingidas e que se uniram em um grande mutirão de sobrevivência.

Algumas congregações do Distrito Porto-Alegrense foram atingidas. A Congregação Divino Pastor, de Eldorado do Sul, teve a igreja e a casa de todos os seus membros que residem na cidade inundadas. A Congregação Cristo Para Todos, de Guaíba, teve o templo, a casa pastoral e cerca de 12 famílias, que representam 80% dos seus membros, com casas inundadas. São congregações pequenas. A Congregação Cristo, de Porto Alegre, teve seu templo inundado, bem como todas as suas dependências, com exceção dos apartamentos dos pastores, além de todo o andar térreo do Colégio Concórdia, incluindo setor administrativo, biblioteca e educação infantil. Cerca de 150 famílias da Congregação foram atingidas, as quais perderam moradias, empresa, ou tiveram que deixar suas residências em prédios, cerca de 15% dos membros. A Congregação Paz, do bairro Sarandi, teve em torno de 30 famílias, o que representa 40% da Congregação, além de cerca de 120 famílias de pais de alunos da Escola e 12 professores que tiveram suas casas inundadas. A Congregação Concórdia, de Porto Alegre, tem um membro que teve sua empresa inundada.

A grande maioria das congregações do DIPA não foram atingidas. A São João Batista, de Guaíba, e as congregações de Porto Alegre que não foram atingidas, colocaram suas estruturas a serviço da ajuda aos desabrigados.

A Congregação São Paulo, do bairro Jardim Ipiranga, acolheu cerca de 120 desabrigados no ginásio da antiga escola do CEDA, com apoio da “Brasa Church”, uma igreja da linha batista que auxilia com voluntários e doações. A CELSP recebe e encaminha donativos de água potável, comida e agasalho, além de fazer comida em sua estrutura de cozinha.

A Congregação Cruz, do bairro Petrópolis, transformou seu templo e salão social num centro de acolhimento e distribuição de donativos de comida, água potável, agasalhos, calçados, material de higiene, limpeza, além de cozinhar e preparar muitas refeições que são encaminhadas para os desabrigados.

A Congregação São João Batista, de Guaíba, também transformou o seu templo em um centro de acolhimento de desabrigados, e seu salão social e toda a estrutura num centro de acolhimento e distribuição de donativos de comida, água potável, agasalhos, calçados, material de higiene, limpeza, além de cozinhar alimentos, fazendo muitas refeições que são encaminhadas aos desabrigados e ao pessoal da Polícia Militar e Defesa Civil que estão trabalhando em resgate e acolhimento.

A Congregação Jesus Salvador, do bairro Cavalhada, organizou-se e distribui donativos, comida, água potável, agasalhos, calçados, material de higiene, limpeza, além de preparar refeições que foram encaminhadas aos desabrigados. Muitos membros ajudam na Congregação Concórdia e em vários abrigos.

 A Congregação Concórdia, do bairro Bela Vista, transformou seu salão social num centro de acolhimento e distribuição de donativos, de comida, água potável, agasalhos, calçados, material de higiene, limpeza, além de preparar muitas refeições que são encaminhadas aos desabrigados.

Uma realidade percebida em todas as congregações que se envolveram nessa frente de acolher donativos, distribuí-los e preparar comida para os desabrigados, é que uma legião de voluntários de todos os lados vem e se associa ao trabalho numa empreitada solidária, para minimizar a dor dos que estão sofrendo em virtude dessa tragédia.

São membros das nossas congregações que não foram atingidos, membros desabrigados que vêm e querem trabalhar, outros desabrigados que querem somar e ajudar, vizinhos das congregações, amigos, empresários. A sociedade reconheceu nas congregações da IELB locais sérios e dedicados em atos de misericórdia e amor e se sensibilizam com o movimento de ajuda.

São muitas doações em produtos e dinheiro para que se possa diminuir o sofrimento desse povo todo atingido.

As congregações mais distantes do Distrito, como Viamão, Butiá, Charqueadas, Camaquã, Tapes e Sertão Santana, estão trabalhando nas campanhas de ajuda com doações de víveres, agasalhos e equipes de mutirão de limpeza.

DISTRITO VALE DO RIO GRAVATAÍ (líder leigo Fábio Leandro Rods)

O DIGRA tem 445 pessoas atingidas. Após 24 dias, águas começaram a retroceder em Canoas e foi possível iniciar a limpeza das residências, por meio da equipe de voluntários do Distrito. Foi iniciada a limpeza do templo da Congregação São Lucas, do bairro Harmonia, graças ao bom Deus, sem nenhum abalo na estrutura. O templo da São João, no bairro Mathias Velho, permanece inacessível.

Um dos principais abrigos da cidade, a ULBRA, necessita de suporte da comunidade para atender os 2,6 mil abrigados que permanecem na instituição. Se alguma congregação puder se organizar para contribuir com a demanda da alimentação, pode entrar em contato com a pastoral da Ulbra (https://www.ulbra.br/pastoral).

DISTRITO GAÚCHO CENTRAL (conselheiro pastor Bruno Krüger Serves)

No Distrito Gaúcho Central, houve diversos estragos, prejuízos e um óbito como consequência da enxurrada. Os principais pontos atingidos foram a cidade e o interior de Candelária, banhados pelo rio Pardo, alguns pontos de Cachoeira do Sul, banhada pelo rio Jacuí, e a cidade e o interior de Cerro Branco, banhados pelo rio Botucaraí.

Em Cerro Branco, as águas foram violentas tanto no interior quanto na cidade. Grandes prejuízos no comércio, na infraestrutura, na agricultura, em residências, em escolas. A secretaria da Paróquia Betel foi atingida, perdendo muito material histórico e registros, bem como o salão paroquial, com perdas significativas em materiais de trabalho com escola dominical e demais grupos. Algumas famílias luteranas perderam absolutamente tudo. A atuação da igreja em Cerro Branco tem sido de acolhimento, suporte e trabalho árduo com as famílias atingidas, para que elas possam voltar a viver com dignidade e segurança.

Em Cachoeira do Sul, famílias ribeirinhas precisaram ser realocadas. Algumas famílias luteranas também foram atingidas, necessitando de cuidados especiais. O trabalho da Congregação Cristo Redentor está sendo de dar todo o suporte necessário a essas famílias e a outras, também em ação conjunta com o município.

Já em Candelária, as águas do rio Pardo trouxeram imenso prejuízo a diversas localidades, devastando propriedades, lavouras, casas, animais e maquinários. No interior, a igreja da Linha do Rio foi alagada e necessitou de cuidados especiais, e o ponto de pregação na localidade de Rebentona foi alagado e, até agora, não há como chegar até lá pela precariedade de acesso. Nesta localidade houve um óbito, uma senhora luterana. Já no perímetro urbano, as águas invadiram diversas casas e empresas, trazendo imenso prejuízo.

As ações da igreja em Candelária, seja na cidade ou interior, estão em diferentes níveis. Enquanto algumas famílias já voltaram para suas casas e tentam retomar a rotina, outras ainda nem tiveram acesso ao lar. Assim, nesta heterogeneidade, as ações se diversificam entre auxiliar na limpeza, preparação de alimentação para desabrigados, doações de materiais e kits de higiene, marmitas e auxílio financeiro para as famílias.

Neste último final de semana, dia 26 de maio, os jovens do Distrito Gaúcho Central reuniram-se para um “Aquece Solidário”, em que, juntamente com a prática de esportes, organizaram um almoço solidário, o qual teve seu lucro integral revertido às famílias atingidas pela enxurrada.

DISTRITO VALE DO TAQUARI (conselheiro pastor Mário Hartmann)

O Distrito segue fortemente em mutirões de limpeza e, onde é possível, reconstrução. Existe ainda muita situação de membros em abrigos, principalmente em Estrela, onde o número de perdas de casas é bem maior. O trabalho de voluntários continua forte, é uma bênção. Muitos grupos, inclusive, da nossa igreja, vindo nos ajudar. Novamente o grupo Salve, do Alegrete, veio no final de semana, em Estrela, com equipamentos, e desobstruíram o acesso à igreja e fizeram limpeza mais grossa da igreja e avançaram na limpeza de casas. Neste final de semana, recebemos mutirões de limpeza em Teutônia, com 20 pessoas do grupo de voluntários independentes de Flores da Cunha. No próximo final de semana, vamos receber 30 voluntários da igreja em Ijuí para ajudar novamente em Estrela, em limpezas, reconstruções e reformas, no que for possível. Estamos trabalhando e apoiando aqueles que têm possibilidade de retorno. Mas infelizmente, temos um grande número de pessoas que não tem mais suas casas. Estas irão precisar de muito apoio, com realocações, aluguel social, entre outros. Também estamos trabalhando para criar um espaço e realocar a congregação Trindade, em Estrela, para retornar o atendimento espiritual.

Quanto às doações básicas, estamos bem supridos. Não faltam roupas nem alimentos. Tanto que estamos conseguindo apoiar a Defesa Civil nesse sentido. Outra dificuldade é a situação das estradas, acessos, com queda das pontes. O que tem ajudado bastante é a adoção de cidades, as quais têm enviado maquinários e formado verdadeiras forças-tarefas para as prefeituras locais, avançando em desobstrução de estradas e limpeza de ruas e residências.

DISTRITO CONCÓRDIA (conselheiro pastor Paulo Pietzsch)

Lenta e gradualmente, o pessoal está deixando os abrigos e voltando para suas casas. O distrito está buscando atuar na força-tarefa para limpeza, cestas básicas e ajuda na reconstrução das casas e vidas desconstruídas.

DISTRITO VALE DO RIO DOS SINOS (conselheiro pastor André Hönke)

A água já baixou em diversos locais no bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo. Algumas famílias luteranas já voltaram para suas casas, outras apenas fizeram a limpeza, mas não retornaram. Mas uma boa parte do bairro ainda continua com o nível d’água elevado. Várias casas continuam alagadas, inclusive de famílias luteranas. A Congregação São João continua com água dentro do templo e do salão.

O nível d’água de dentro do bairro vai diminuir apenas quando as bombas d’água para escoamento funcionarem, drenando a água que está represada no bairro e levando-a por cima do dique para o Rio dos Sinos.

DISTRITO HORTÊNSIAS (conselheiro pastor Martinho Lutero Weiss dos Santos)

O Distrito está trabalhando com os membros afetados, visitando as famílias, vendo as necessidades e encaminhando as doações que estão chegando na igreja. Estão tentando administrar internamente, sem pedir auxílio ao Fundo de Resposta a Desastres, da IELB, porque entendem que outras comunidades vão precisar mais do que o Distrito. Até porque, em Rolante, a água não fica represada nas casas, então as pessoas não têm uma perda tão grande com seus bens.  

RIO PARDO (conselheiro pastor Nerlino Balz)

Em Santa Cruz do Sul, mais de 30 famílias foram atingidas pelas enchentes. O pastor Edelberto Stachovski relatou que estão auxiliando as vítimas com roupas, colchões, fogões e móveis. Segundo ele, a meta é auxiliar todas as famílias, pois boa parte delas perdeu tudo o que tinha dentro de casa. Felizmente, não houve perda de vidas. Também estão dando apoio emocional e espiritual às pessoas. “Percebemos um sentimento de gratidão muito forte, pois nossos membros atingidos pelas enchentes estão percebendo que a igreja está junto com elas, dando todo o apoio necessário”, destacou.

O conselheiro distrital destacou que estão estimulando o apadrinhamento das famílias atingidas. O objetivo é incentivar outras famílias, que não foram atingidas pelas enchentes, a orar, visitar e auxiliar no que for possível a família apadrinhada, mantendo o contato por todo o tempo necessário.

Em Herveiras, estão realizando uma campanha para ajudar as pessoas atingidas pela enchente nas cidades vizinhas, já que ficaram mais ilesos. No dia 22 de maio, membros da congregação estiveram em Sinimbú, conversando com o CRAS para ver como poderiam ajudar. Levaram material de limpeza doado pelos membros e fizeram pão caseiro e levaram às famílias, pois as padarias foram afetadas e muitas pessoas também não tem forno para assar pão. “Estamos aguardando um pouco, porque a maior necessidade ainda está por vir, que é de mobiliar as casas para dar continuidade à vida e, em alguns casos, até reconstruir casas”, observou o conselheiro, que atua em Herveiras.

Em Sinimbu, a igreja e o pavilhão da Congregação, onde a água entrou, já foram limpos. Mas houve perdas, especialmente na cozinha do pavilhão da Congregação, atendida pelo pastor Edemar Fuhrmann, de Santa Cruz.

SUL 1 (conselheiro pastor Odacir Biindchen)

A região continua na mesma condição: água subindo e descendo, mas mantendo um padrão. Vale lembrar que a preocupação da região, banhada pela Lagoa dos Patos, é com a quantidade de água desembocada pelo Lago Guaíba, quem tem recuado nos últimos dias, aproximando-se da cota de inundação (3 metros).

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