A hora da provação

Entre nós não há um só que já não foi provado. Pois todos já fomos ao colégio – ou ainda estamos nele. Todos nós só passamos de ano – ou fomos aprovados – depois de termos feito provas das várias disciplinas que estudamos. Mas, também já passamos por outras provas. E provas bem mais angustiantes do que as de uma sala de aula. Passamos pela prova da “falta de compreensão”, pela prova da raiva que nos queria levar à vingança, pela prova do emprego que perdemos e nos quis encher de desilusão. E muitas outras. Agora nos sobrevém a prova do “fique em casa”, causada pelo coronavírus.

Esta prova exige de nós evitar agrupamentos – até a presença dos filhos distantes com seus pais. Exige máscaras e muita higiene. Fechou igrejas e nos impôs (ou nos deu oportunidades) cultos virtuais. Já não mais vivemos a “comunhão” da Ceia do Senhor, nem nossa presença nas orações. Falta-nos o abrir do Hinário e da Bíblia no culto divino. Falta-nos o aperto de mãos, tão fraterno, do pastor e dos irmãos e irmãs na fé. – Ao nosso redor tudo está vazio daquilo que é espiritual. Nós, assim é o nosso sentimento, estamos mais vazios.

Mas tudo isso por causa desta “pandemia”. Pois como indicam dados que chegam aos nossos ouvidos, ela já matou mais de 100 mil pessoas no mundo. Seu poder é aterrador sobre idosos e fragilizados. Porém muitos dos mais novos escapam de suas garras.

De onde vem esta calamidade? Certamente, não de Deus, que “não tenta a ninguém” e de quem “só descem boas dádivas e dons perfeitos” (Tg 1.13,17). Também não nos arroguemos o direito de julgar que pessoas lhe deram propositalmente origem. O que podemos afirmar, e isso com total certeza, é que ela está dentro das maldições que o pecado nos trouxe. O coronavírus não é a mais violenta delas. Porque o verdadeiro “salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Mas por meio desta pandemia podemos precisar enfrentar a morte.

Isso nos pode parecer uma afirmação dura. Porém, como disse Jesus, estamos na “hora da provação”. É provado o sistema de atendimento hospitalar, os medicamentos que nos serão dados, e será provada a força e a resistência da nossa vida.

Jesus, contudo, afirma que nesta hora é “provada” a nossa fé. Não nossa fé nos atendimentos, nem nossa fé numa recuperação. Mas nossa fé nos ensinos de Deus. Se cremos que somos pecadores e que não merecemos mais do que a morte. Se cremos – e esta é a fé que salva – que Cristo nos ama, e por nós já morreu e venceu, e já nos concedeu pelo batismo e o evangelho a adoção de filhos do Pai celeste. E mais, se cremos que, nesta hora tão cheia de incertezas, Cristo está conosco – sim, dentro de nós – e nos segura contra a morte eterna. Também, se cremos que “ser um cristão” é realmente “ouvir e guardar a Palavra de Deus”.

Meus amados, crendo isso, estamos aprovados nesta hora da provação. Sim, aceitamos e respeitamos os conselhos das autoridades e nos resguardamos em nossos lares. Por outro lado, não nos acovardamos diante desta calamidade. Porque, como afirma o apóstolo João, “maior é aquele que está em nós” (1Jo 4.4). E, com o apóstolo Paulo, jubilamos: “Estou certo que a morte… não nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus” (Rm 8.38s).

Nisso está o nosso sentimento de segurança durante a epidemia do coronavírus. Mesmo retidos nos lares, temos a paz de Deus em nossos corações, pensamentos e sentimentos. Meus amados, meditem nisso. Deus abençoe a todos vocês. Amém.

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