Tem culto. “Que alegria!” ou “Ah, não!”?

Você certamente conhece a famosa frase bíblica: “Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do SENHOR!” (Salmo 122.1). Agora, como é que você reage ao ver aproximar-se a hora do culto? Ou qual a sua reação quando alguém lhe faz ou renova o convite para ir ao culto? E se você já foi ao culto no sábado ou no domingo de manhã e tem um culto especial, digamos, de caráter regional, no domingo à noite? É uma reação de “Que alegria!”? Ou seria mais: “Ah, não!”?

Luterano não é muito de ir à igreja, diz-se por aí. Tem gente, contou-me um colega, que foi criada numa área rural, onde os cultos aconteciam uma vez por mês. Morando, agora, na cidade, essas pessoas vão ao culto uma vez por mês, exatamente como faziam no passado, por mais que a igreja local tenha culto todos os domingos!

Num recente encontro de pastores, no Seminário Concórdia, um dos professores abordou o tema “Por que os luteranos não gostam de frequentar os cultos?”. A resposta, disse-nos esse professor, poderia ser bem simples: Porque são preguiçosos. Ou porque são relaxados. Mas ele preferiu apresentar uma razão mais profunda e teológica. Disse-nos, com razão, que, mesmo sendo novas criaturas, renascidas no Batismo, continuamos sendo, até o fundo da alma e até o final de nossa vida, pecadores. Assim, vivemos em constante tensão e conflito. A nova criatura que somos diz: “Que alegria! Hoje temos culto”. A nossa velha natureza reclama: “Ah, não! De novo, culto?”.

O trágico em tudo isso é que, para a nova criatura sair vitoriosa nesse conflito, ela precisa estar no culto, onde é alimentada e revigorada pelo Evangelho e pela Santa Ceia. Não indo ou não estando no culto, a nova criatura não tem chance. Porque se “liturgia” é serviço, então é preciso dizer que, nela, “Deus primeiro se põe a serviço de seu povo, em seu Filho, o Servo por excelência, a fim de que todo esse povo, por sua vez, ser torne servo e lhe preste o serviço de um culto espiritual” (J. Gelineau).

Sendo assim, como alguém disse certa vez, há momentos em que precisamos atrair o “velho homem” e a “velha mulher” ao culto, para que a nova natureza tenha uma chance. Como isso acontece? Dou um exemplo: Ao meio-dia do domingo vai haver um almoço no salão da igreja. Esta é uma atividade para o “velho homem”, pois não traz, em si, crescimento espiritual. A rigor, o novo homem (e a nova mulher) deveria ir ao culto por causa do banquete que acontece mais cedo, a Ceia do Senhor, no culto. Mas, como a nossa velha natureza é atraída pelo almoço (a um preço convidativo, quem sabe), acabamos, talvez, indo mais cedo, e a nova natureza tem a grande oportunidade de ser fortalecida pela Palavra pregada e pela “palavra visível” (a Santa Ceia).

Dou outro exemplo: a escola dominical vai apresentar um cântico durante o culto. O pai, a mãe, o avô ou a avó não se sentem motivados a ir pelo culto em si. Mas a velha natureza se sente feliz em ver que o filho ou a filha, o neto ou a neta, vai cantar na igreja. Lá se vão eles e, assim, surgiu uma chance para que a nova natureza daqueles cristãos seja alimentada e revigorada. É bem possível que, pela misericórdia de Deus, no domingo seguinte, a família volte à igreja, dizendo: “Que alegria! Hoje tem culto”. Será a vitória do novo homem ou da nova mulher, que poderá dizer com o salmista: “Ó SENHOR Deus, eu amo a casa onde vives, o lugar onde está presente a tua glória” (Sl 26.8, NTLH). E: “Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no seu templo” (Sl 27.4, ARA).

E aí, vai ser “que alegria!” ou “ah, não!”?

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