Absolvição ou oferta de perdão?

Rev. Lucas Pinz Graffunder – Novo Hamburgo – RS

Você ouve que “os teus pecados estão perdoados”? Ou você ouve que “Jesus oferece o perdão, basta aceitar”?

Essas duas frases são parecidas, mas jogam em campos bem diferentes. Na segunda, o perdão é apresentado como um produto disponível: está na prateleira, Deus oferece, e agora tudo depende de você pegar ou não. A mensagem vem assim: se você se arrepender de verdade, se entregar a vida para Jesus, se for sincero, então o perdão se torna seu. O centro, no fim das contas, acaba sendo o “se” do coração humano.

O problema é que coração oscila. Um dia você está cheio de certeza, no outro está seco. Em uma semana você se sente arrependido, na outra está frio. Se o perdão depende da intensidade do seu sentir ou da qualidade da sua decisão, a fé vira uma montanha-russa. Quando está tudo bem, você pensa “Deus me perdoou”. Quando vem a culpa pesada, volta a pergunta: “Será que eu aceitei de verdade? Será que foi sincero o bastante?”.

A primeira frase é de outro tipo: “os teus pecados estão perdoados”. Não é oferta condicional, é declaração. Não é possibilidade, é fato. É o jeito bíblico da absolvição: em nome de Cristo, a igreja não apenas fala sobre o perdão, ela anuncia o perdão para você, aqui e agora. Não é “Jesus pode te perdoar se…”, é “por causa de Jesus, Deus te perdoa”.

Na absolvição, o pastor faz uso de uma frase ousada: “Em lugar e por ordem de Cristo, eu te perdoo todos os teus pecados”. Isso escandaliza quem foi treinado a pensar só em termos de “oferta” e “aceitação”. Mas o fundamento não está no pastor, está na promessa de Cristo: “A quem perdoardes os pecados, lhes são perdoados”. Ou seja, quando essa palavra é pronunciada fielmente, é o próprio Cristo agindo pela sua igreja, aplicando o perdão conquistado na cruz.

Isso não elimina o arrependimento. Pelo contrário. Só coloca o arrependimento no lugar certo. Arrependimento não é moeda de troca para comprar perdão. Não é o preço psicológico que você paga para Deus resolver te perdoar. Arrependimento é justamente abandonar a ilusão de que algo em você compra ou completa a obra de Cristo. É cair nas mãos da graça já pronta. Não é o arrependimento que torna o perdão verdadeiro; é o perdão verdadeiro, anunciado e entregue, que quebra o orgulho e gera arrependimento.

Em resumo: ou o perdão fica preso ao que você quer, sente e decide, ou ele fica ancorado no que Cristo já fez e continua distribuindo na Palavra, no Batismo, na Ceia e na absolvição. No primeiro caso, você vive olhando para dentro, medindo seu próprio coração. No segundo caso, você aprende a olhar para fora, para a cruz e para a promessa que entra pelos ouvidos.

Por isso a frase de síntese é esta: Deus te perdoa em Cristo, e não no que você quer. Não é a tua vontade que sustenta o perdão. É a vontade de Deus, revelada em Jesus, de ser teu Pai e declarar, com toda a autoridade do céu: “em Cristo, os teus pecados estão perdoados”.

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