As folhas que se vão

Depois de tórridos dias de verão, que o outono venha com seu frescor

O outono já está entre nós. Desejado outono. Depois de tórridos dias de verão, que o outono venha com seu frescor. Árvores frondosas que nos refugiaram em suas sombras, agora entram no processo de se “outonizar”. Se é que existe este termo. Suas folhas vão sendo pintadas em diferentes tons. Um espetáculo da criação. Um convite a sairmos das telas e percebermos que há algo maior do que nosso pequeno mundo diário. O processo termina com folhas ao chão. Árvores despidas de sua glória. Galhos expostos, aguardando o corte da poda.

Na vida, há folhas que se vão. Vigorosas e verdejantes em um dia. Amareladas e caídas, no outro. Para alguns, há processos longos até ir ao chão. Para outros, é sem aviso. Na verdade, sabemos que folhas irão ao chão. Mas nos embebedamos com a ilusão de que nossas folhas sempre serão verdejantes e vigorosas. Mas, um dia, o vigor e a beleza da juventude se vão. As medicações e as dores aumentam. Os filhos crescem. Abrem asas, voam, deixam o ninho. Os pais, já envelhecidos, dispensam cuidados como se fossem filhos dos seus filhos. As folhas mais dolorosas que se vão são histórias. Pessoas. Amores. Relacionamentos.

Cada folha que cai é um buraco que fica. Na alegria. Na saúde mental. No dormir em paz. Despidos de glória, é natural que percamos o sentido da vida. Onde está Deus? Será ele indiferente às dores das folhas que se foram? Mesmo com as dores das folhas perdidas, somos convidados a olhar para a cruz de Jesus. Nela, o Salvador despiu-se de todas as folhas de sua glória. Não por culpa própria. Mas por nós. Para nos resgatar. Na cruz, Jesus tomou para si nosso pecado. Nossa culpa. Bem como os vazios e as dores que as folhas caídas nos deixaram. Não, Deus não é indiferente. Ele é “socorro que não falta em tempos de aflição” (Sl 46.1).

Por mais dolorosas que sejam as folhas que já se foram, creia. Há alguém cuidando de tudo. Aquele que foi ressuscitado ao terceiro dia. Vivo, está revestido de sua glória e um dia voltará. Neste dia, muitas das folhas que se foram nos serão restabelecidas. E revestidos, todos, da glória do Redentor. É apenas uma questão de tempo.

Então fica a dica: folhas caem. Folhas se vão. Mas a vida plena que Cristo conquistou, e nos é dada pela fé, é a folha que jamais cairá. Quando tudo se for, Cristo permanecerá.

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Matérias Relacionadas

Saúde mental em meio a desastres e catástrofes

A busca por autoconhecimento é sempre fundamental, ter ciência das suas habilidades, quando e onde tem condições físicas e emocionais para atuar é fundamental. Confira algumas dicas de como lidar com as emoções em cada fase

Veja também

Saúde mental em meio a desastres e catástrofes

A busca por autoconhecimento é sempre fundamental, ter ciência das suas habilidades, quando e onde tem condições físicas e emocionais para atuar é fundamental. Confira algumas dicas de como lidar com as emoções em cada fase

Livres para servir: o papel da religião na promoção do bem comum

A realização dos ideais religiosos depende da preservação da liberdade religiosa – o direito fundamental de praticar, expressar e manifestar suas crenças sem discriminação ou perseguição. Defender a liberdade religiosa não é apenas uma obrigação legal, mas um imperativo moral que garante o florescimento de diversas comunidades religiosas e promove um ambiente propício ao diálogo e à cooperação

A parábola do semeador

A cultura digital afasta-nos da terra. Por mais evoluídos que sejamos, não podemos perder contato com a terra, a terra somos nós mesmos, pó é nossa origem e nosso destino. O período de uma vida transcorre de pó a pó