Das profundezas do coração

Diante da dor, mostramos quem realmente somos.

Quando nos vemos em meio a sofrimentos, camadas profundas do coração vêm à tona.  Diante da dor, mostramos quem realmente somos. Quais são nossos princípios. No que cremos. Vaidades se vão. O sofrimento nos coloca diante de um espelho e revela a nós mesmos quem somos. Despidos das pequenezas que, antes, eram porto seguro.

A catástrofe que assola boa parte do Rio Grande do Sul tem o poder de trazer à tona estas profundezas do coração. De lá emergem lágrimas pesadas. Não só pela perda econômica de bens, casas, empresa, lavouras. Mas o lamento de perder parte da sua história. Desta profundeza obscura do coração surge aquilo que é quase inimaginável. Será que alguém seria capaz de roubar, assaltar e cometer abusos às pessoas, casas e bens já arrasados pela enxurrada? Sim. O ser humano. O terrível ser humano.

Estas atrocidades não são capazes de sufocar um sentimento que emana das profundezas do coração de muita gente, atingidos ou não pelas águas. Empatia. Sentir a dor do outro. O Brasil mobilizado em arrecadações. Aviões, helicópteros, barcos e jet-skis colocados à disposição. Famílias abrindo as portas para abrigar desconhecidos. Um mutirão jamais visto para alimentar os milhares de desabrigados. Esta catástrofe parece ter nos ensinado a sermos mais humanos. Se bem que este era o discurso no auge da pandemia. E, depois, parece que tudo fora esquecido.

Neste cenário trágico, há algo especial que surge das profundezas do coração. Uma confissão de fé. Que está guardada lá, no mais íntimo. Mas que a dor a faz florescer. E a faz fortalecer. Tantas e tantas famílias juntam-se ao profeta Habacuque para confessar este crer: “ainda que as figueiras não produzam frutas, e as parreiras não dêem uvas; ainda que não haja azeitonas para apanhar nem trigo para colher; ainda que não haja mais ovelhas nos campos nem gado nos currais, mesmo assim eu darei graças ao SENHOR e louvarei a Deus, o meu Salvador. O SENHOR Deus é a minha força” (Habacuque 3.17-19).

Das profundezas do coração surge esta grandiosa confissão de fé. Que não tem por fundamento uma fé motivacional. Que não tem por solidez a teologia da glória, onde há apenas show de milagres e curas. Que não tem por termômetro o sucesso. Mas um crer que tem por centralidade a cruz de Jesus. O perdão dos pecados. O agir de Deus através da sua Palavra e dos meios da graça. A expectativa da redenção, volta de Jesus, da ressurreição dos mortos, do novo céu e nova terra. A dor nos ensina que temos um Deus que não nos prometeu o céu na terra. Mas prometeu estar em nós através do seu Espírito Santo derramado no Pentecostes, enquanto este céu não chegar.

Então fica a dica: uma catástrofe tem o poder de revelar as profundezas do coração. Inclusive, de revelar quais são os pilares do nosso crer. 

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