Liberdade de pensamento

Para quem não sabe, o 14 de julho é o Dia Mundial da Liberdade de Pensamento, uma data escolhida pela Organização das Nações Unidas em 1948, inspirada na Revolução Francesa. Conforme a famosa história, no ano de 1789 a fortaleza prisional Bastilha foi tomada pelos revolucionários, os presos políticos foram libertados e a monarquia deu lugar à democracia. Esta mudança política e social na França inspirou nações no mundo todo, transformando o 14 de julho no “Dia da Reforma” do sistema político, quando foram extintas as “indulgências” que impediam as pessoas dos seus direitos à liberdade. Com isto, a Revolução Francesa é considerada o acontecimento que deu início à Idade Contemporânea, pela abolição da escravidão e proclamação dos princípios universais de “liberdade, igualdade e fraternidade”.

Lemos no artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (adotada pela ONU em 10 de dezembro de 1948): “Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular”. Na verdade, esta declaração contempla o princípio bíblico da criação manifestado por Deus ao oferecer ao ser humano o livre arbítrio entre o bem e o mal. Mesmo com a queda no pecado, o ser humano continuou tendo liberdade de escolha, agora com a chance de buscar aquilo que Paulo lembra aos Gálatas: “Cristo nos libertou para que nós sejamos realmente livres. Por isso, continuem firmes como pessoas livres e não se tornem escravos novamente” (5.1). Liberdade, assim, tem um sentido bem mais amplo desta lembrada neste mês de julho. Até porque, mesmo um escravo ou prisioneiro político pode ser livre quando o assunto é pecado e perdão.

Podemos dar graças a Deus, no entanto, por um 14 de julho e por vivermos num sistema político onde somos livres para expressar o que cremos. Como seria a nossa vida cristã se vivêssemos numa Coreia do Norte, num Irã, num Afeganistão, por exemplo? O artigo 5º da Constituição Brasileira é um presente divino que nos oferece garantias e direitos de cidadãos. Ele é, sem dúvida, uma das partes mais importantes da Constituição Federal de 1988. Neste artigo 5º estão avalizados os direitos de liberdade, igualdade, moradia, trabalho e outras garantias de justiça e sobrevivência. Mas, sobretudo, é dado o direito a todo o brasileiro de exercer os cultos religiosos, seja qual for sua religião. “E inviolável a liberdade de consciência e de crença”, diz a Constituição, “sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”. Enquanto esta regra for mantida, somos livres para dizer, por exemplo, que o homossexualismo é pecado – mesmo quando tentam proibir esta manifestação por projetos de lei, a conhecida lei anti-homofóbica.

Deveríamos aproveitar mais esta liberdade de pensamento para o testemunho de nossa fé cristã. É claro, surgem “Bastilhas” que precisam cair, pois mesmo quando vivemos numa democracia, somos confrontados sutilmente por perseguições e privações de liberdade. Outro desafio na liberdade de expressão é saber conviver com crenças e práticas contrárias à fé e moralidade cristãs, quando temos posicionamentos completamente diferentes. Creio que um bom conselho vem de Paulo: “O servo do Senhor não deve andar brigando, mas deve tratar todos com educação. Deve ser um mestre bom e paciente, que corrige com delicadeza aqueles que são contra ele. Pois pode ser que Deus dê a eles a oportunidade de se arrependerem e de virem a conhecer a verdade” (2Timóteo 2.24-26). O que o apóstolo diz aqui é aquilo que o profeta já manifestava: “Que as pessoas perversas mudem a sua maneira de viver e abandonem os seus maus pensamentos. Voltem para o Senhor, nosso Deus, pois ele tem compaixão e perdoa completamente” (Isaías 55.7). Esta é a plena liberdade que Deus deseja a todos, de uma nova vida que somente Cristo poder dar.

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