No final, o melhor vinho

Julho traz consigo o auge do inverno. O frio é um convite para aquecer o coração com uma boa taça de vinho. Sempre com moderação e bom senso. Confesso que, pela segunda vez, me aventurei na produção de vinhos. Um processo bem caseiro, sem requintes de sofisticação. Mas que proporciona a experiência de apreciar um vinho feito por mim mesmo.

Deixando de lado a produção industrial ou até mesmo mais apurada, em que vinhos maturam em barricas nobres, a produção do vinho não tem lá muitos segredos. O processo passa pela escolha de uvas de qualidade. Também há o cuidado na prensagem dos cachos. Nem muito prensado a ponto de moer a semente e deixar um gosto amargo, nem muito frouxo, a ponto de não extrair o suco necessário do grão. O tempo é um fator importante na formatação de um bom vinho. O tempo adequado de fermentação do mosto e, após a filtragem dele, o tempo de descanso e maturação. Depois da ação do tempo, é desfrutar de uma saudável taça de vinho feito em casa.

Nesse processo, facilmente percebe-se que há o envolvimento de leis da química, da física e da ação do tempo. Inevitavelmente, não há como não lembrar daquele que produziu um vinho de excelência passando por cima de todas essas leis e forças da natureza. Isso não nos aponta um infrator, mas um Senhor também sobre a criação. João, capítulo 2, nos apresenta o primeiro milagre de Jesus. Uma festa de casamento. O constrangimento por acabar o vinho em plena festa. Jesus ordena que potes de pedra fossem preenchidos com água. Levados ao dirigente da festa, ele celebrou com alegria: “Todos costumam servir primeiro o vinho bom e, depois que os convidados já beberam muito, servem o vinho comum. Mas você guardou até agora o melhor vinho” (Jo 2.10).

Quem é este que produz o melhor vinho, sem passar pelo longo processo que se faz necessário? Quem é este que está acima das leis da natureza? Quem é este que anda por sobre as águas? Quem é este que ressuscita a mortos? Quem é este que multiplica pães e peixes? Quem é este que acalma a fúria da natureza? Quem é este que perdoa pecados?

Jesus. Verdadeiro Deus, verdadeiro homem. A transformação da água em vinho é um brinde que nos convida a confessar o senhorio de Cristo sobre nossas vidas e sobre a própria criação. Nada de colheita de uvas, tão pouco a formação do mosto, a espera pela fermentação, a filtragem e o tempo de maturação do vinho. Eis que, simplesmente, o vinho apareceu! Nesse primeiro milagre, já foi possível sorver da misericórdia de Jesus, que não desamparou aquele jovem casal em sua própria festa de casamento.

Deixando de lado a taça de vinho, precisamos fixar nossos olhos no milagre da ressurreição. Não da filha de Jairo. Ou do filho único da viúva de Naim. Nem de Lázaro. Tão pouco de alguns que ressuscitaram naquela Sexta-Feira Santa. Afinal, todos eles voltaram a morrer. A ressurreição que precisa estar em nossos olhos, ouvidos e coração é a do

Ressuscitado com “R” maiúsculo. Aquele que vive para todo o sempre. A ressurreição de Jesus é o centro de nossa fé.

Com o perdão do clichê, a ressurreição do Salvador transforma vidas da água para o vinho. Como na festa de Caná, o melhor vinho ainda está por vir. A ressurreição de todos os mortos, quando Cristo voltar. Aí, sim, a salvação será plena! Brindaremos na festa do Cordeiro de Deus, onde o próprio Senhor “enche o meu copo até derramar” (Sl 23.5).

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