Segurança psicológica na Igreja: Devo me preocupar com isso?

Quando se fala em segurança psicológica, estamos nos referindo basicamente aos quatro itens que regem esse conceito, que são:

– Segurança em se expressar: É seguro se pronunciar, expor problemas, trazer ideias, questionar?

– Segurança em interagir: É seguro pedir ajuda, engajar conversar difíceis, iniciar e manter um diálogo?

– Segurança em aprender: É seguro fazer perguntas, inovar, arriscar, aprender com os erros?

– Segurança em pertencer: Sentir-se apoiado e valorizado, segurança em saber que não será prejudicado ou rejeitado deliberadamente (Edmondson, 2020; Armani & Armani, 2020; Instituto Internacional de Segurança Psicológica, s.f.).

O conceito de segurança psicológica vem da Psicologia Organizacional, e é estudada e aplicada em empresas e instituições como estratégia para combater a cultura do medo, ou seja, que os funcionários tenham um ambiente onde sejam capazes de compartilhar seu conhecimento com respeito e confiança mútua, que sintam-se à vontade para correr riscos, se exporem sem serem retaliados ou prejudicados, que sejam escutados em suas ideias e não sejam inibidos pelo medo (Edmondson, 2020; Armani & Armani, 2020; Instituto Internacional de Segurança Psicológica, s.f.).

Será que nossas comunidades de fé oferecem um espaço assim? Ou será que, de alguma forma, estamos fomentando a cultura do medo?
Armani (2020, p.01) define segurança psicológica “como sendo um clima bom, em que as pessoas se sentem à vontade em serem elas mesmas e de se expressarem do jeito que gostariam”.

Pertencer a uma comunidade de fé é algo desafiador, pois buscamos um local onde possamos estar em comunhão, louvar a Deus, testemunhar, agradecer e, principalmente, fortalecer nossa fé. É nesse local que buscamos “recarregar as energias” para enfrentar as situações diárias de nossa vida. Buscamos orientação, acolhimento, aconchego e perdão. Nesse local também temos responsabilidades e devemos oferecer o que temos de melhor para agregar e levar a Palavra de Deus cada vez mais e a mais pessoas.
Então precisamos saber ouvir e saber falar. Precisamos contribuir para que esse local seja seguro psicologicamente e ofereça ferramentas para a missão de Deus em nossa vida e na vida de outras pessoas.

O falar e o ouvir estão diretamente ligados ao pertencer. Muitas vezes as pessoas têm relutância em falar, na dúvida se estarão transmitindo ao grupo uma imagem positiva, de segurança, de conhecimento, de aceitação. Mas ninguém é perfeito, e ter sua voz sendo ouvida, acolhida e, muitas vezes, fazê-la surtir efeito, é desafiador, mas é assim que nos sentimos pertencentes ao local ou ao grupo (Edmondson, 2020).

Que sejamos humildes em nossas comunidades de fé para que Cristo seja evidenciado e não nós, para que nosso trabalho tenha o objetivo de levar Cristo e sua mensagem. Que, por onde passarmos, possamos proporcionar um ambiente sadio para nos expressar, interagir, aprender e pertencer. Que o nosso bom Deus nos capacite para que sempre nossas comunidades de fé sejam locais psicologicamente seguros.

REFERÊNCIAS:
Edmonsdson, A.C. A organização sem medo: Criando Segurança Psicológica no local de trabalho para aprendizado, inovação e crescimento. Alta Books, 2020.
Instituto Internacional de Segurança Psicológica (2021-2022). https://segurancapsicologica.com/
Armani, F. e Armani, G. (2020). Segurança Psicológica: modelos e experiências. Disponível em: <https://www.infoq.com/br/articles/psychological-safety-models-experiences/>.

Daniela von Mühlen
Psicóloga, terapeuta de casal e família
Instagram @danielavonm

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