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Muito mais que histórias inspiradoras

A educação cristã não é a mera transmissão de conhecimento abstrato, nem a promoção de uma ruptura entre o cristão e o mundo criado. Mas é a ação de apontar para a presença redentora de Cristo, em sua Palavra e sacramentos, como algo concreto e conectado com a criação e a vida diária.

Você concorda que o Natal é a época mais linda do ano? Decorações natalinas, luzes e músicas enfeitam as cidades e as casas, criando um ambiente encantador. Neste período, histórias reais e contos de fadas se entrelaçam, promovendo a chamada “magia do Natal”. O objetivo é alegrar e inspirar as pessoas.

Muitos enxergam a Bíblia e a educação cristã da mesma forma – como um compêndio de histórias inspiradoras e cheias de sabedoria. No entanto, o Natal de Jesus vai muito além disso. A Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de amor e de verdade (Jo 1.14).

O Natal não é um conto de fadas; é um fato histórico, ocorrido em um lugar específico do nosso planeta. Deus não salvou as pessoas tirando-as do mundo, mas vindo até ele. A manjedoura que acolheu Jesus, os panos que tocaram seu corpo, o barco que mais tarde ele usou, o cálice da última ceia e a cruz onde foi crucificado eram todos elementos reais e terrenos. Usados por Jesus na sua obra salvadora.

E assim Deus faz ainda hoje. Ele utiliza tanto o papel da Bíblia impressa quanto as telas digitais para espalhar sua mensagem, e usa a voz do pastor para proclamar o evangelho e perdoar pecados. Ele continua usando coisas terrenas para salvar. A água batismal, embora comum, unida à Palavra de Deus, é água que salva. O pão e o vinho, produzidos a partir do trigo e da uva, pela autoridade da Palavra, é o corpo e o sangue do Senhor. Deus continua presente neste mundo, de forma concreta e graciosa!

Por isso, a educação cristã não é a mera transmissão de conhecimento abstrato, nem a promoção de uma ruptura entre o cristão e o mundo criado. Mas é a ação de apontar para a presença redentora de Cristo, em sua Palavra e sacramentos, como algo concreto e conectado com a criação e a vida diária.

Ações cotidianas, como tomar banho e vestir-se, podem nos fazer recordar que fomos lavados pelo santo batismo e nele recebemos as vestes santas de Cristo.

Observar o crescimento constante das plantas pode ser um lembrete de que o Espírito Santo continua chamando pessoas à fé e fazendo a igreja crescer. E é por isso que usamos paramentos verdes na igreja no período após Pentecostes.

A presença de Jesus no casamento de Caná santifica nossas celebrações. Seu choro, pela morte de um amigo, santifica nossas lágrimas. O evangelho anunciado por ele conforta, alivia a dor no peito, acalma o coração, suaviza a tensão dos ombros e traz paz.

Muito além de exemplos ou inspiração psicológica, a Palavra de Deus traz Cristo. Seu Espírito nos guia em nossas vocações e relacionamentos, impulsionando-nos a prover, servir, criar e curar. Cada gesto de cuidado e bondade que realizamos ou recebemos é a manifestação tangível de Deus agindo para preservar e enriquecer nossa vida.

O Natal nos ensina que Deus não é uma energia a ser manipulada, uma sabedoria distante, um legislador inflexível ou um provedor de bem-estar. Deus é Emanuel – Deus conosco, gracioso e salvador. Essa verdade é o coração, a força e a sabedoria da educação cristã.

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