Qual é o foco?

Seguidamente ouvimos a frase de que a igreja precisa se modernizar e se adaptar à nova realidade. Ela precisa ser atraente aos mais diversos públicos. De fato, como estamos numa sociedade em constante transformação, é possível que algumas de nossas abordagens precisem ganhar novas roupagens a fim de assegurar a participação continuada dos membros, bem como se apresentar aberta aos novos tempos. Nesta contextualização, corremos o risco da superficialidade para garantir público presente e atuante. Até que ponto isto é saudável? Ou, quais seriam as perdas e ganhos de tal readequação? Sobre estas questões queremos discorrer a seguir, chamando a atenção a não perdermos de vista o foco central da igreja cristã, que é ser agência do reino de Deus aqui na terra.

Uma crítica à igreja de hoje é de que ela não responde mais aos anseios dos seus membros. Em consequência disso, haveria um declínio na participação efetiva nos diversos espaços da igreja. O que estará acontecendo? Esta questão indica o quanto o assunto é relevante e necessita de uma cuidadosa reflexão de todos. Alguns vão afirmar que as opções do nosso tempo são muitas, e as que mais atraem o indivíduo terão sua prioridade em adesão. Não se trata de uma competição de que vença o melhor, pois a Palavra de Deus sempre estará acima de qualquer coisa. Outros vão afirmar que as pessoas não se comprometem com o Evangelho e facilmente focam sua atenção em outra coisa. Por isso é preciso fazer uma leitura crítica de qual direção seguir.

A impressão que temos é de que o pastor precisa ser um “malabarista” para tentar agradar a todos da congregação. Cada público tem um perfil e quer ser atendido. Os jovens, por exemplo, que estão com os seus celulares ou outros recursos de comunicação ligados 24 horas, querem ser atendidos dentro do seu contexto. Caso isso não aconteça, se afastam, além de reclamar do seu pastor e da liderança. As mulheres, especialmente com as suas conquistas no mercado de trabalho, o que é bom, posicionam-se contrárias àquelas que continuam fazendo os seus trabalhos manuais dentro de um modelo conservador. Os homens, parece que precisam de reuniões regadas a churrasco. Como o pastor teve uma formação acadêmica e foi ensinado a zelar pelo estudo bíblico nas reuniões do povo de Deus, pois do contrário elas não seriam reconhecidas como tal, mantém um embate com os diferentes grupos, e o que mais se ouve são lamentos por aqueles que não estão presentes, gerando, muitas vezes, um desgaste e até mesmo a extinção do grupo.

Qual é o foco central? Os momentos de culto a Deus podem estar dando lugar ao culto às pessoas, às bandas, ao coral. “Precisa de atrativo”, afirmam os membros. Mas o que os atrai? É possível que neste ponto as pessoas se percam. Quando o foco deixa de ser Jesus e é lançado sobre o líder ou sobre pessoas, tornamo-nos um grupo social qualquer sob um pretexto religioso. Muitas cobranças são feitas ao pastor e à diretoria para proporcionarem cultos mais atraentes e dinâmicos, onde a força maior está na forma e não no conteúdo e no objeto de adoração. A real participação só será possível quando houver uma qualidade nas ações da igreja. As pessoas precisam ser orientadas desde pequenas neste aspecto. Por isso, a fundamentação e capacitação já começa na Escola Dominical, com uma boa equipe, preparada de uma forma especial, para atuar nos primeiros anos da vida espiritual do indivíduo.

A mesma seriedade no ensino também deve estar na instrução de confirmandos e de adultos, levando as pessoas a se fundamentarem cada vez mais nos ensinos da Escritura Sagrada. A juventude e os demais departamentos terão um reflexo positivo para aqueles que não “queimaram” nenhuma etapa na sua formação cristã anterior.

É evidente que se espera do pastor ou líder que apresentem a mensagem cristã de forma clara, mesmo que sejam usados recursos modernos para isso. Mas se a igreja não dispõe de tais recursos ou se houver inaptidão das pessoas, nem por isso a mensagem deixa de ser comunicada. Este é o ponto básico. No entanto, se o pastor tem que fazer “malabarismos” para conquistar a plateia, então a ênfase passa a estar na forma e não na mensagem. Entretanto, se for para conquistar as pessoas para Cristo, o foco central da igreja, o “malabarismo” passa a ter um cunho missionário, e, neste caso, ele é positivo.

Somos convidados a olhar a Escritura Sagrada levando em conta o exemplo de Jesus. Ele atraía as multidões por causa do seu ensino consistente. Sua mensagem fazia a diferença na vida daquelas pessoas. Deduz-se disso que as nossas mensagens precisam ser uma releitura da Escritura, levando em conta o contexto em que vivemos, e anunciada às pessoas a fim de que elas reflitam sobre o seu conteúdo (lei e Evangelho), sejam convencidas através do Espírito Santo e redirecionadas para uma mudança de vida. Quando isto acontece, temos a certeza de sua importância para compreendermos melhor a vontade do Senhor em nossas vidas.

A partir desta compreensão, as pessoas vão procurar a igreja não em busca de um show, mas porque ela lhes ensina o caminho da vida, Jesus. Aliás, este é o seu foco central. Pedimos a Deus que ele abençoe a vida de cada um nesta reflexão.

Texto publicado no Mensageiro Luterano de maio de 2013

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