A criança “malcriada”

Uma família brasileira sentou-se à nossa frente num dos voos internacionais: Um menino de uns 5 a 6 anos à janela, o pai no meio e a mãe do lado do corredor com um bebê no colo. Antes mesmo do avião decolar, o menino começou a cutucar o pai insistentemente. O pai não fez nada. O menino se levantou no banco e começou a bater no rosto do pai. O pai não fez nada. Depois de algum tempo, a mãe disse calmamente: Não faz assim, André. O menino continuou batendo no pai. Eu só observando, já meio nervoso. De repente o pai reagiu, sentou a criança no banco, deu um tapa na perna e afivelou a criança com o cinto de segurança. A criança começou a choramingar e disse: “Você me bateu com força… está doendo… vou contar para a polícia assim que chegar em casa…”. Depois de algum tempo, começou a mesma novela de novo…

Criança malcriada: Se refere à criança ou aos pais? A criança está sendo mal criada pelos pais, criada sem limites, sem educação, ditando as regras do jogo. Muitas crianças tendem a desafiar os pais para ver até onde podem ir, qual é o limite. E se não é imposto um limite, a criança vai cada vez mais longe, impondo a sua própria vontade.

Alguém me disse: Os nossos filhos têm personalidade… os filhos dos outros são cabeçudos… É uma maneira irônica para dizer como muitos pais olham para os seus filhos.

Esta forma de educação, de curvar-se ou não à vontade da criança, já começa desde o berço. Por que muitos pediatras recomendam amamentar de três em três horas, e não cada vez que a criança chora? Porque a criança precisa conhecer uma rotina e saber quem manda; e a mãe precisa do seu tempo também.

Esta atitude dos pais se reflete em todos os campos da educação: hora de comer, hora de dormir, hora de brincar, hora de tomar banho… A sociedade não será condescendente com a criança quando ela crescer: há hora de ir para a escola e há hora de ir para as atividades paralelas de esporte ou lazer. Mais tarde haverá horário para chegar ao trabalho e para fazer determinadas tarefas.

Estava na sala de espera do consultório médico, e uma criança pulava de cadeira em cadeira, berrava, mexia nas revistas… e a mãe não fazia nada. Quando a criança se agarrou ao abajur e começou a sacudir, eu vi que ia cair e estourar a lâmpada. Instintivamente me levantei, segurei o abajur e disse um alto “NÃO”. A mãe me olhou com olhares de desaprovação, os outros clientes com um olhar de aprovação, e a criança começou a chorar. Acho que ela nunca tinha ouvido um “não“ na vida.

Há sistemas de educação que pregam nunca contrariar uma criança, pois isso pode criar traumas na idade adulta. Pior que traumas é ver um filho seguindo o caminho da promiscuidade ou das drogas por falta de limite. O adolescente que não teve freios na infância, não será controlado mais tarde. Daí muitos pais se perguntam: Onde foi que erramos?

Não existe fórmula exata para a educação, pois cada família tem seu sistema, e as crianças são diferentes e reagem de maneira diferente. Para algumas, a correção precisa ser um pouco mais dura. Para outras, uma palavra basta. Mas uma regra existe: a criança precisa conhecer seus limites. Pais que se deixam dominar totalmente pela vontade dos filhos pagarão um alto preço pela “má criação” que deram.

Seu filho é malcriado com as outras pessoas? Olhe para o tipo de educação que você está dando. O conhecido versículo bíblico continua válido: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e mesmo quando idoso não se desviará dele” (Pv 22.6). Jesus ama as crianças e as quer perto de si. Assegure isso ao seu filho e ele se aninhará nos braços do Mestre amado. É o melhor legado que uma mãe e um pai podem deixar para os seus filhos.

Carlos Walter Winterle
Pretória, África do Sul

Colaborador do ML

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