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Desafios da liberdade religiosa em 2024

Por aqui, por mais difíceis e polarizadas que sejam as posições políticas, herdamos um legado de liberdade conquistado por gerações anteriores. A pergunta que fica é: como estamos cuidando deste tesouro?

Jean Regina
@jeanregina
Thiago Vieira
@tr_vieira

       Dentre as reflexões que o início do ano nos provoca, especialmente neste tempo litúrgico que vai do Natal, Epifania e início da Quaresma, nossos olhos se voltam para a grande questão da busca pela sonhada paz. A realidade das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio perturbam a todos, sendo que o mundo sem Cristo não entende ser impossível alcançá-la nesta dimensão da existência. Isso leva a mais desespero, frustração, e, por que não dizer, intolerância com o próximo. E aí é que as discussões em torno da liberdade religiosa ganham relevância novamente.

      Enquanto escrevo este texto, e enquanto você o lê, mais de 360 milhões de cristãos são perseguidos severamente em todo o mundo. Embora tenhamos episódios tristes de intolerância religiosa com nossos irmãos luteranos em nossa história no Brasil, nem se compara com os horrores de quem vive esta pesada vocação – ser sal e luz em meio às trevas aparentes da perseguição – em muitos lugares. Por aqui, por mais difíceis e polarizadas que sejam as posições políticas, herdamos um legado de liberdade conquistado por gerações anteriores. A pergunta que fica é: como estamos cuidando deste tesouro?

      O ano de 2024 promete. Comemoramos 120 anos de organização sinodal, além de também este marcar 200 anos de imigração alemã, e, portanto, de presença luterana contínua no Brasil. São datas importantes e certamente apontam para bênçãos maravilhosas de Deus ao trazer a esta amada terra a notícia do evangelho de que, por graça apenas, mediante a fé, temos a reconciliação com Deus!

      Celebramos nossas datas especiais em um Brasil plural, gigante e que passa por profundas transformações. A era da informação projeta possibilidades de alcance da mensagem antes impossíveis; os templos se expandem no universo digital para acolher milhares de pessoas que podem receber a proclamação da Palavra e ensino em qualquer lugar do mundo. A inteligência artificial é uma realidade inescapável, e precisaremos aprender a navegar neste novo mundo onlife, onde a realidade virtual e a física formam uma simbiose desafiadora no que tange aos limites éticos da humanidade.

      Temos alguns desafios enormes para a liberdade religiosa neste ano, aqui no Brasil e no mundo. Por aqui há duros julgamentos acontecendo, tanto no Supremo Tribunal Federal, quanto em outras instâncias, envolvendo temas como discurso de ódio, fundamentalismo, racismo e intolerância; projetos de lei que pretendem colocar o aconselhamento pastoral como crime de tortura quando o assunto é sexualidade; propostas de silenciar a voz e o argumento religioso no ambiente escolar.

      No mundo, a Agenda Global 2030 da ONU segue seu rumo sem lembrar da liberdade de crer, ensinar e confessar a fé, com enormes impactos na legislação de países e na cultura empresarial, a partir das práticas do chamado ESG (políticas de meio ambiente, governança e diversidade social). Os direitos humanos precisam de ressignificação, lembrando também dos deveres de uns para com os outros. Dilemas neste tempo difícil que vamos enfrentar.

     Esperamos contar com as orações de todos, e que, juntos, possamos receber com gratidão tanto “as rosas do caminho” quanto os “espinhos”, como diz o hino. Que seja 2024 um tempo novo para proclamarmos a liberdade como farol a iluminar nossos atos de amor e serviço ao próximo! Contem conosco na jornada!

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