Igrejas fechadas

O pastor Marcos Schmidt escreveu no Mensageiro Luterano de outubro de 2019, p.9, dentro de um contexto de “Igrejas falidas e fechadas”: “Se a igreja fechasse as portas, isso faria alguma diferença para vocês? Quando é comum a gente só valorizar aquilo que se perde, quem sabe a ideia de fechar a igreja por um período – uma greve de cultos, batismo, santa ceia, sepultamentos – poderia ser um jeito radical para evitar o triste colapso das igrejas holandesas”….

Fechar a igreja por um período”. Pareceu-me uma profecia, ou pelo menos uma previsão e um alerta. Nossas igrejas estão fechadas desde antes da Páscoa (talvez já estejam abertas quando este artigo for publicado). E isso acontece em todo o mundo, devido ao Covid-19. Sei que muitos cristãos estão sedentos pela Palavra de Deus e pelo sacramento. Deus falou através do profeta Amós, 8.11: “Eis que vêm dias, diz o SENHOR Deus, em que enviarei fome sobre a terra, não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor”. Deus falou isso dentro de um contexto de condenação, chamando o povo ao arrependimento. Temos que olhar para os dias e a situação de hoje também como um chamamento ao arrependimento e à mudança de vida. Quantas vezes arrumamos desculpas para não ir à igreja? Agora queremos ir e não podemos.

Mas será que o fato de nossa igreja estar fechada faz alguma diferença para a vizinhança? Participei de um grupo de debate, há uns quatro anos, cujo tema era: Que diferença faria para a vizinhança se a tua igreja fechasse? E o desafio era: O que a tua igreja está fazendo para a vizinhança? Que influência ela exerce sobre a sociedade? Ou será só um “clube” para os associados?

O que mudou? O que vai mudar?

Estamos tendo esta experiência agora com as igrejas fechadas, e vale a pena nos perguntarmos: O que mudou? O que vai mudar quando as portas das igrejas se abrirem novamente? Apenas os membros ficarão contentes? Ou estaremos preparados para dar um bom testemunho de nossa fé, demonstrando amor cristão para os muitos desempregados e necessitados que sempre existiram, mas cujas fileiras engrossaram devido ao isolamento social?

Minha esposa assistiu uma enquete em que a pergunta era: Qual é a primeira coisa que você vai fazer quando puder sair de casa novamente? E a maioria das pessoas respondeu: Primeiro vou à igreja! – E depois? Depois ao cabelereiro…

Com certeza, muitos dirão “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” (Sl 122.1). Mas quantos vão se acomodar à experiência de assistir os cultos na TV, sentados confortavelmente em seus sofás? Sem precisar dar a oferta? A atual situação nos desafiou como nunca a usar a mídia social para divulgar o evangelho. Que isso continue, mas que não substitua os cultos nas igrejas e as devoções particulares e em família.

Estando longe do nosso país e sem a oportunidade de frequentar os nossos cultos regulares aqui, pois as igrejas também estão fechadas, minha esposa e eu assistimos a vários cultos on-line aos domingos. Achei genial a criatividade de alguns pastores que vejo nos cultos on-line. Um fez um culto drive in, e as famílias assistiam o culto de dentro dos seus carros. Outro abriu a igreja para a santa ceia durante certo horário no final de semana, e só entrava uma família por vez para receber a ceia. Com cada família ou indivíduo, o pastor fazia uma oração, o Pai-Nosso e a consagração, e distribuía a santa ceia. Outro fez um culto presencial dentro dos limites de pessoas permitidas, e cada um veio ao altar para a Santa Ceia respeitando a distância recomendada. Todos vieram de máscaras ao culto. Uns celebraram o culto seguindo a liturgia tradicional no melhor estilo, com órgão e hinos do Hinário. Outros fizeram cultos mais informais, com corinhos e violão. Aqui na África do Sul, nossa igreja organizou um culto com vários pastores: um dirigiu a primeira parte, outro dirigiu o ofício da Palavra, outro pregou, outro fez a oração e a bênção. Cada um gravou na sua igreja, e depois editaram. E foi muito bom ver tantas igrejas luteranas bem cuidadas com pastores pregando fielmente.

Que diferença fará nossa igreja quando reabrir as portas do templo?

Volto à pergunta inicial: Que diferença fará em nossas vidas e na vida de nossas comunidades quando as portas da igreja forem autorizadas a abrir novamente? As igrejas estarão lotadas? As pessoas trarão as ofertas atrasadas para recuperar as finanças da igreja? Estaremos mais unidos do que antes, dispostos a testemunhar e a praticar a caridade?

Jesus diz que ele é a porta (Jo 10.9). Esta porta nunca está fechada. Jesus está sempre à disposição para entrarmos por ele à presença do Pai Celeste e sermos aceitos como filhos queridos pela fé; e para apresentarmos nossas orações com toda a confiança, “assim como um filho querido pede a seu Pai Amado”.

Carlos Walter Winterle

Pretória, África do Sul

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