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O sentido da vida ou a vida do sentido?

A vida é uma sequência de contextos e com diferentes intensidades, em que o indivíduo, ao longo da sua existência, recebe sensações e estímulos que objetivam, digamos assim, dar razão de estar no mundo e ser. É a busca pelo sentido da vida. Muitas pessoas perguntam: Qual é o sentido da vida?

Artur Charczuk
pastor e psicanalista, São Leopoldo, RS
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Estou escrevendo este texto no ano de 2023. Já você, leitor, bem provável que o esteja lendo em 2024. As festividades passaram e, como resultado, as pessoas veem uma nova possibilidade de recomeço. É mais ou menos assim: não deu certo no ano passado, mas agora vai dar. Por detrás dos contratos emocionais que o indivíduo assina diante de uma possibilidade de recomeçar, está uma minuciosa descrição de experiências cotidianas, ou seja, o que foi bom e o que foi frustrante no ano que passou. A vida é uma sequência de contextos e com diferentes intensidades, em que o indivíduo, ao longo da sua existência, recebe sensações e estímulos que objetivam, digamos assim, dar razão de estar no mundo e ser. É a busca pelo sentido da vida. Muitas pessoas perguntam: Qual é o sentido da vida? Quando o indivíduo levanta a taça de champanhe bem no auge da soltura dos fogos de artifícios, prometendo para si uma nova perspectiva de vida, na verdade, ele está almejando por sentido, isto é, buscando um novo sentido para a existência.

O SENTIDO DA VIDA

A busca por sentido é algo intrínseco à vida do ser humano, com efeito, a contemporaneidade é um estado de existir que encontra o sentido na insatisfação, isso mesmo, leitor, na insatisfação. Retroceder nos fatos históricos é importante, pois que eles possuem uma interferência direta na forma como o homem vive no presente. A Revolução Industrial ocasionou grandes transformações, não somente na maneira de produzir do ser humano, mas também no seu comportamento. Com o fortalecimento do capitalismo, possibilidades e condições foram criadas para o sujeito acessar bens de consumo e outros materiais. Como resultado, cada bem-criado visa uma sensação, um estímulo que proporcione um sentido para o adquirente, mas é algo efêmero. É passageiro, porque o produto ofertado, o dado sentido, será substituído por outro produto calcado pelos desgastados discursos: mais vantagens, mais bonito, está na moda, etc. O sentido ofertado pela vida contemporânea está equacionado no produzir, comprar e descartar. Com isso, o sentido moderno é um contínuo ciclo de adquirir e perder, isto é, ter algo em mãos e vê-lo escorrer pelos dedos. Dado que o sentido nunca satisfaz, ele sempre vem acompanhado do vazio, do transitório.

A VIDA DO SENTIDO

A atualidade está revestida pela inversão, em outras palavras, não é mais o sentido que, pensemos assim, explica o porquê da vida. O que ocorre hoje é o sustento do sentido que a sociedade oferece, por exemplo: um produto que todo mundo possui e que a pessoa quer ter; já que todo mundo tem, ela não quer ficar de fora. Assim sendo, o objeto adquire um grande valor através da intensidade da pessoa. A vida do indivíduo só possui significado se estiver atrelada ao artefato desejado. Em resumo: o próprio sentido, o artigo tão querido, é mais importante do que a vida da pessoa. E o que fica para o ser humano? A sensação de ausência, de vazio, já que o sentido não é algo voltado para ele, mas retido no próprio objeto. Assim faz o consumismo: ele enaltece o produto e coisifica o consumidor. De fato, o sentido da vida corrente está alicerçado numa eterna busca, melhor dizendo, numa eterna falta.

E EU OS ALIVIAREI

De certo, o mundo procura descanso no sentido, por outro lado, a Palavra tem o necessário: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei” (Mt 11.28). Aqui está um dos mais belos versículos da Bíblia, melhor dizendo, Jesus é o verdadeiro refúgio diante das angústias da vida e suas ausências de sentido; em Jesus não existe falta. Sim, leitor, finalizo o artigo em 2023 e digo: sentido? Não, mas vontade. Que a sua vida esteja alicerçada na vontade de Jesus Cristo.

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