Pastor Arthur Krüger

“Lembrem-se dos seus líderes, os quais pregaram a palavra de Deus a vocês [...] honrem sempre os que são como ele” (Hb 13.7; Fp 2.29)

             

Depois de muitos anos de jornada sob as bênçãos de Deus, torna-se um desafio olhar para a própria caminhada e buscar transcrever as “curvas da estrada” e também todos os privilégios que tive em minha vida. Mesmo assim, me alegro com a oportunidade de compartilhar, de modo resumido, a minha jornada, na qual 55 anos foram no ministério pastoral ativo na igreja.

Nasci dia 5 de julho de 1940, em Vila Machado, município de Tucunduva, RS, hoje município Novo Machado. Sou filho de Carlos Krüger e Dona Vanda Fitz. Fui batizado no dia 9 de julho de 1940 e com 6 anos passei a frequentar a escola paroquial. Aos 13 anos fui confirmado, em 29 de novembro de 1953, pelo pastor Elmer Reimnitz. Em 1955 ingressei no Seminário Concórdia, de Porto Alegre, RS, onde fiz o ginasial e o colegial. Seguindo lá meus estudos, ingressei no curso de Teologia e, no ano 1964, fiz meu estágio em São João, no Oeste do Paraná, na Comunidade Evangélica Luterana São João. Estive sob a orientação do pastor Germano Beck, da paróquia de Pato Branco, PR. Depois, de volta do estágio, em fins de fevereiro voltei ao Seminário para completar o curso teológico e me formei pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) em 5 de dezembro de 1965, com mais 9 colegas de classe. O lema de nossa formatura foi da Segunda Carta do apóstolo Paulo a Timóteo, capítulo 4, versículos 2: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.”

Formado em Teologia, agora como pastor da igreja, foi-me entregue pela então Comissão Missionária da IELB o chamado da Paróquia Cruz, de Água Limpa, Município de Baixo Guandu, ES. Antes de seguir para o novo destino, casei-me com minha noiva, Berta Sander, filha do professor Edgar Sander e Dona Annida Port Sander. O casamento aconteceu em 5 de fevereiro de 1966, e então seguimos para a nova morada e missão que Deus nos havia dado. Em sua graça, Deus abençoou nossa união com quatro lindos e queridos filhos: Lílian Magali (em memória), Sílvia Lilhane, Sandro Edgar e Vivian Cristiane. A primeira filha, Lilian Magali, faleceu de maneira súbita na adolescência. Foi difícil para nós superar a sua morte repentina e prematura, mas Deus está no comando sempre de nossa vida, e todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28). Nós confiamos nisso, por isso, louvado seja o nome do Senhor! O Senhor Deus a deu, e a tomou. Bendito seja o seu nome!

MINISTÉRIO

Como já mencionei, após o nosso casamento viajamos para o nosso primeiro chamado, no estado do Espírito Santo, para nova e primeira Paróquia. No dia 25 de fevereiro de 1966, fui ordenado e instalado pelo então conselheiro daquele Distrito, pastor Breno Dauernheimer. Assim, aos poucos começamos a trabalhar e conhecer a Paróquia que, por algum tempo, não havia tido mais pastores residentes, mas era atendida interinamente pelos pastores do Distrito.  Existiam visíveis sinais de que havia muito a ser feito. Lembrei muito do lema de formatura: Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.”  Também lembrei daquilo que o profeta Isaías diz. Que a Palavra de Deus é poderosa e não volta sem fruto. No local, a casa pastoral precisava de reformas. Não havia energia elétrica, e o “veículo” para locomoção do pastor e para atendimento era um burro. Este era chamado “burrinho branco”, “burrinho Pimpão”!

As congregações eram distantes umas das outras, bem como também da sede, onde eu residia. Perto da residência pastoral não havia recursos nem serviços básicos, tais como: farmácia, mercado, etc… Esses foram motivos que levaram à decisão de mudar o local da sede. Porém, essa mudança não poderia ocorrer imediatamente. Era necessário tempo, planejamento e muito trabalho. Nessa confiança de que “a palavra de Deus não volta vazia”, nós trabalhamos. Digo “nós” porque a minha esposa me ajudava muito. Envolveu-se no trabalho com escola bíblica, aulas de canto, instruções e corais. Não demorou e os frutos apareceram: a participação nos cultos e estudos aumentou. As ofertas, também. Em cerca de 2 anos e 7 meses a sede paroquial foi mudada para Vila Sobreiro, onde havia energia elétrica e água encanada. Uma nova casa pastoral foi construída. Um carro foi comprado para a locomoção. Agora tínhamos um Jeep! Mais tarde, uma Rural Willys. E assim, muitas coisas mudaram para muito melhor! Deus, por meio de sua Palavra, movia os corações das pessoas. Fortalecia a fé e o amor do seu povo e, de tabela, o amor para com a igreja! Sim! A alegria pela salvação voltou na vida de muita gente, para glória e louvor unicamente do nosso amado e único Deus. Hoje, temos lá duas paróquias. Realmente, o lema da formatura fazia todo o sentido. Estávamos levando uma Palavra viva e poderosa – a Palavra do Senhor.

No estado do Espírito Santo trabalhamos durante oito anos, deixando e levando saudades até hoje. Em janeiro de 1974 aceitei chamado para a paróquia evangélica Luterana Concórdia de Forquetinha, município de Lajeado, RS. Nesse local trabalhamos por cinco anos, até janeiro de 1979, quando aceitei chamado e nos mudamos para a Paróquia Cristo Redentor, de Pato Bragado, no Oeste Paranaense. Na época, essa localidade era Distrito de Marechal Cândido Rondon, PR. Em 1979, a Paróquia era formada por 10 congregações e um ponto de pregação no Brasil, com mais duas congregações no Paraguai. Lá trabalhei seis anos, quando, em 1985, aceitei chamado para Paróquia Cristo Redentor, do Bairro Três Vendas, Pelotas, RS. Esta paróquia tinha muitos membros. Eu a recebi juntamente com mais duas congregações no interior. Depois nós dividimos a Paróquia, formando uma nova, no Bairro Sítio Floresta, da qual passaram a fazer parte as duas congregações do interior. Além, disso, o nosso ponto de pregação que tínhamos no bairro Sanga Funda tornou-se Congregação, permanecendo vinculada à Paróquia Cristo Redentor. Em Pelotas permanecemos trabalhando por nove anos. Então, em 1994 eu recebi um chamado para o Paraná novamente, também na região Oeste do estado. Fomos então para a Paróquia Evangélica Luterana Trindade, de Maripá, onde eu trabalhei 16 anos, até 2009. Nesse ano, eu recebi chamado para a Congregação Evangélica Luterana Betel, de Estrada Gaúcha, área rural do Município de Maripá, PR. Esta congregação eu já atendia interinamente há quatro anos. Então trabalhei nela até 2020, perfazendo uma trajetória de 11 anos.

Somando todo o tempo em que Deus nos permitiu exercer o ministério, temos uma jornada total de 55 anos de Ministério Pastoral contínuo e intenso.

Então, como o tempo não para, e a idade vai chegando, no fim do ano 2020 declinei do meu chamado da Congregação Betel. Nessa ocasião também recebi o meu título de pastor Emérito. Meu ministério pastoral ininterrupto ativo, como pastor chamado, foi de 55 anos, em seis Paróquias diferentes. Vale lembrar que Deus, em sua infinita bondade e graça, nos permitiu, nesse meio tempo, celebrar nossas Bodas de Ouro, no dia 5 de fevereiro de 2016. Hoje, quando recordo e volto meu pensamento para todos esses anos de ministério ativo, preciso reconhecer como sou pequeno e fraco diante de Deus, e diante de tão sublime e maravilhoso ministério, levando o santo evangelho para as pessoas. Reconheço também que a bondade e misericórdia de Deus não têm limites para com seus filhos e filhas. Como ele foi bom e bondoso para mim e para minha família. A misericórdia, bondade e amor de Deus são incomensuráveis. Tudo que fiz na vida, em meu ministério, foi unicamente pela graça de Deus. Deus sempre estava comigo, me ajudando. Por isso, o louvor, a gratidão, a honra, pertencem somente ao nosso Salvador. Como fala o autor do salmo 115.1:“Somente a ti, ó Senhor Deus. A ti somente e não a nós, seja dada toda a glória, por causa do teu amor e da tua fidelidade”.

Além de ser muito grato a Deus, que me chamou, capacitou e conduziu durante esses 55 anos de ministério e minha vida, também não posso deixar de agradecer a todas as pessoas que me deram seu apoio nesse sublime ofício, como as lideranças das paróquias onde eu trabalhei. Aqui, especialmente quero agradecer à minha querida esposa Berta, que sempre esteve ao meu lado nas horas difíceis e felizes, nas horas tristes e alegres. Agradeço também aos meus filhos, que muito me apoiaram durante esse tempo, e hoje são ativos dentro de suas congregações, sendo que meu filho Sandro é pastor da IELB.

Olhando para a jornada, só nos resta agradecer àquele que tudo isso nos proporcionou: “Obrigado, Senhor meu e Deus meu, por tua infinita graça e bondade. Amém!

Legendas das fotos:

Foto 1 – Casamento do pastor Arthur e Berta, 5 de fevereiro de 1966

Foto 2 – Casa em Água Limpa, ES. Primeira moradia (1966)

Foto 3 – Pastor Arthur montando o burro Pimpão, em saída para o trabalho (1966)

Foto 4 – Segundo meio de transporte do pastor Arthur. Moto Java americana

Foto 5 – Mensagem do pastor Arthur em Maripá, 23 de setembro de 2000

Foto 6 – Família do pastor na celebração de Bodas de Ouro, 5 de fevereiro de 2016

Foto 7 – Formatura, 5 de dezembro de 1965

Foto 8 – Confirmação da primeira filha, Lilian Magali

Foto 9 – Participação na instalação do filho, pastor Sandro – 2013

Nota do redator: Os pastores eméritos (ou familiares) que quiserem compartilhar com os leitores do ML a sua história de vida e ministério pastoral, favor fazer contato com o pastor Winterle pelo e-mail: [email protected]

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